Consciência, emoção e cognição: o efeito do priming afetivo subliminar em tarefas de atençãoConscience, emotion and cognition: the effect of priming affective subliminal in attention tasks Monica S. Borine"
1. Introdução O estudo que hora se apresenta se concentra num estudo psicológico e neurológico e é de natureza original no que diz respeito à escolha e abordagem do tema proposto. O objetivo geral foi o de medir e avaliar os efeitos da pré-ativação (priming) com estímulos visuais afetivos aversivos ou repulsivos em modo subliminar e supraliminar na atenção humana, através de um experimento baseado em testes de cognição em ambiente controlado. Partiu-se de duas linhas de pesquisa bem conhecidas na literatura, mas para as quais não se encontrou algum estudo unificador. De um lado, a linha que vem estudando nas últimas décadas a memória humana, sua divisão em módulos, sua organização e a inserção da pré-ativação enquanto um modo distinto de memória. Para Tulvin & Schacter (2002) a pré-ativação é uma forma não consciente ou involuntária de memória que se dá através da identificação perceptiva de palavras e objetos e que somente mais recentemente foi reconhecida como separada das outras formas ou sistemas de memória. De outro lado, um alinha que tem se dedicado ao estudo da atenção, seus mecanismos e formas de operação. A essas duas linhas acrescentou-se o elemento emoção, resultando em um estudo multidisciplinar, como sugere a própria neuropsicologia, no qual se espera contribuir com o conhecimento da inter-relação entre memória, atenção e emoção. Para Helene & Xavier (2003) é surpreendente que a literatura dedicada à atenção raramente se refira à memória ou à emoção, diante da clara influência e interdependência entre memória, atenção e emoção. Três tarefas experimentais foram realizadas por 35 indivíduos em laboratório de neuropsicologia. A tarefa base, onde se testou a detecção de alvo visual simples e a mesma tarefa de base, porém com estímulos distratores aversivos intercalados de forma supraliminar ou subliminar (500ms ou 50ms de duração), em blocos aleatorizados entre os indivíduos. Foram calculados índices de detectabilidade e critério de resposta, que serviram para a comparação estatística entre condições (medidas repetidas). Com isso, declara-se formalmente a seguinte pergunta-problema: Qual é a influência de estímulos visuais afetivos na cognição em termos de atenção humana? Para responder a esta pergunta elaborou-se o objetivo de estudar, medir e avaliar a influência de estímulos visuais afetivos supraliminares e subliminares sobre a cognição em termos de atenção humana. Foram investigados:
1.1. Cognição e emoção Nos anos 80, tornou-se insustentável a neuropsicologia e psicologia se mantivessem distantes e alheias às novas e atualizadas possibilidades, e o encontro entre as duas áreas proporcionou que abrissem um canal de comunicação, como decorrência, surgiram eventos, publicações e pesquisas em conjunto. Desde então, a parceria denominada Neuropsicologia Cognitiva tem incrementado a demanda de produções a partir da troca de informações, material teórico e experiência clínica. (Andrade et al., 2004, p.6). A memória operacional sustenta o processo de cognição por tempo suficiente para que as informações sejam retidas pela memória de longa duração, ao mesmo tempo em que oferece subsídios para o gerenciamento de atividades correntes de cognição, entre elas a atenção e suas diferentes formas. Durante esse processo, o gerenciamento da atenção assim como, a escolha e a forma como certas informações serão retidas na memória de longa duração, sofrem influência de fatores externos, como estímulos visuais subliminares ou supraliminares, e de fatores internos como os níveis de neurotransmissores, hormônios e outras substâncias neuroativas ou das próprias emoções desencadeadas ou facilitadas por estímulos internos e externos. Com isso, as tarefas de cognição, especialmente as relacionadas à atenção, são susceptíveis a alterações e interferências emocionais mensuráveis quantitativamente, de modo a fornecer um perfil de resposta de indivíduos, com variação de desempenho cognitivo de acordo com seu estado emocional. Este estudo se mostra relevante não apenas por sua originalidade, mas pela contribuição que pode oferecer para diferentes áreas e aplicações da psicologia na atualidade. Demonstrar empiricamente com dados confiáveis a influência mensurável que estímulos visuais aversivos podem afetar a cognição, sobretudo a atenção, seja de forma supraliminar ou subliminar é de considerável utilidade para a psicologia do trabalho, para educação corporativa, para a inteligência de negócios (Business Intelligence) e diversas outras áreas onde o desempenho do indivíduo seja importante. Os resultados podem ter reflexos no conhecimento e nas técnicas atuais de motivação humana, dinâmica de grupo, trabalho em equipes e liderança, oferecendo aos estudiosos e profissionais dessas áreas, subsídios para inclusão de técnicas baseadas em estimulação visual afetiva. Isso significa oportunidade de novas técnicas aplicáveis em cursos, treinamentos, palestras e ambientes de trabalho, e também as possibilidades de aplicação clínica em psicologia, neuropsicologia e psiquiatria como: ansiedade, depressão, fobias. 1.3. Pré-ativação (priming) Para a compreensão da pré-ativação segundo Kolby & Wishaw (2003) o termo “Priming” pode referir diferentes conceitos segundo o jargão específico da área de conhecimento em que seja utilizado. Por exemplo, pode expressar a utilização de uma pré-vacina seguida de uma vacina principal para obtenção de uma resposta imunológica específica que não seria possível com apenas uma vacina ou, pode significar uma demão de produto especial para preparação ou ativação de uma superfície para que esta receba uma pintura posteriormente. Em geral, os diferentes conceitos de priming sugerem alguma forma de preparação. No presente estudo, devido à sua natureza neuropsicológica, priming assume um conceito sob duas diferentes visões: a psicológica e a neurológica. Os testes e experimentos envolvendo pré-ativação (priming) se inserem no conceito do Método Específico, abrindo um leque de estudos experimentais relacionados, sobretudo a atenção, memória e desempenho, utilizando diferentes instrumentos e métodos em onze ou mais categorias nesta seqüência de ordem de freqüência dos experimentos: 1- palavras, 2- rostos, 3- letras, 4- localização espacial de objetos, 5- STROOP, 6- cálculos de desempenho tarefa intelectual, 7- ideogramas: chineses e japoneses associados com rostos, 8- imagens, 9- números, 10- sinais e setas, 11- pronúncias (sons). O efeito de pré-ativação sobre o sistema nervoso pode ser obtido de forma supraliminar como por um relato verbal para dois grupos de pessoas, preparando-as por sugestões pré-elaboradas, que quando assimiladas, induzem ao comportamento esperado, ou de forma subliminar. Por exemplo, fazendo-se que a pessoa perceba objetos num ambiente e sofra efeitos destes objetos sobre os seus sonhos, como no caso da hiperminésia (Erdelyi, 1985). Poderá também ser de detecção direta do que foi preparado para o reconhecimento, como no caso da detecção dos próprios objetos previamente apresentados. Existem cinco tipos básicos de fenômenos de estimulação, denominados de pré-ativação ou priming:
1.4. Pré-ativação (priming) subliminar e supraliminar 2. Materiais e Metodologia Partindo para uma investigação mais sistemática de como as variáveis de atenção, emoção, pré-ativação subliminar e supraliminar se comportariam em relação à consciência, acolheu-se a idéia de combinar a pré-ativação subliminar com a supraliminar para verificação da possibilidade de alguma espécie de dado que pudesse dar indícios de como se processa a consciência diante de estímulos combinados. Para isso foi desenvolvido um experimento com a intenção de testar os sujeitos em sua capacidade atencional quando submetidos ou não a estímulos visuais (imagens com sugestão de conteúdo repulsivo e aversivo) para isso foram utilizadas imagens selecionadas do IAPS (International Affective Picture System), série de imagens testadas em laboratório Lang, Bradley, & Cuthbert (2005). 2.1. Método 2.2. Materiais e Instrumentos Esta pesquisa experimental foi realizada e delineada com exclusividade, em laboratório controlado e os instrumentos utilizados foram:
2.3. Sujeitos Foram escolhidos 35 (trinta e cinco) sujeitos saudáveis de ambos os sexos, com visão normal ou corrigida para normal, na proporção de 50% homens e mulheres, sem doenças neuropsiquiátricas. Homens e mulheres com idade entre 23 a 49 anos, sem abuso de drogas ou álcool e sem tratamento com fármacos. Todos os sujeitos assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido aprovado pelo comitê de ética. 2.4. Local Laboratório de EEG (Eletroencefalograma) de Alta resolução, departamento de Neuropsicologia do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - USP. 2.5. Descrição das tarefas e procedimentos 2.5.1. Experimento 1 Todos os aspectos da tarefa foram controlados por um programa comercial de computador (Stim, Neurosoft Inc.). Os estímulos visuais que compunham os pares de dica-alvos (S1-S2) consistiam em pequenos retângulos 8 (excentricidade ± 0.8°, S1: 100 ms de duração, S2: 17 ms). Em metade dos testes, os retângulos S2 continham um círculo cinza (o alvo da tarefa) com ±0.3° de excentricidade. S1 foi seguido por S2, com inícios separados no tempo por 1,6 segundo. Nós instruímos aos indivíduos do teste que um retângulo seria apresentado para indicar que 1,6 ms depois ele acenderia novamente, porém com maior rapidez, contendo ou não o círculo-alvo. O indivíduo decidiria se havia dentro um retângulo S2, e indicaria a presença do alvo pressionando o botão direito com o polegar direito, ou a ausência do alvo pressionando o botão esquerdo com o polegar esquerdo. Omitiu-se deliberadamente nas instruções o tempo de reação e mediu-se o desempenho exclusivamente pela porcentagem de testes corretos, do total de 96 rodadas ou testes que compunham o experimento. Um ponto de fixação para os olhos aparecia continuamente no centro da tela do computador, bem como, um fundo para mascarar estímulos, com o intuito de impedir imagens posteriores. 2.5.2. Experimento 2 A segunda condição apresentada foi realizada num bloco orientado de modo randomizado, uma quantidade de sujeitos praticamente 50% do total geral e 50% entre sujeitos masculinos e femininos. Primeiramente na ordem, a tarefa subliminar e, a outra quantidade de sujeitos realizou primeiramente a tarefa supraliminar. Houve a inserção de 104 pares de retângulos de uma rodada quanto entre rodadas da tarefa. A diferença foi à duração dos estímulos onde o tempo do subliminar foi de 50 ms e o supraliminar foi de 500 ms. Para todos os sujeitos que realizaram o experimento foram realizadas cinco perguntas pelo experimentador aos sujeitos depois de dadas todas às informações e instruções necessárias para a realização do experimento.
2.6. Análise dos resultados Uma vez que a tarefa de base foi sistematicamente realizada antes das outras, efeitos de fadiga e treinamento não poderiam ser evitados, a análise estatística restringiu-se às variáveis obtidas nas duas condições subseqüentes, apenas. Computamos análise de variância (ANOVA) com medidas repetidas, entre as duas condições de interesse, das variáveis: detectabilidade, critério (e seus componentes, Hits (acertos positivos) e falsos positivos), tratando como fatores o sexo dos sujeitos e a ordem entre as duas condições subliminar e supraliminar. Para isso foram usados índices de detectabilidade e critério, derivados da teoria de detecção de sinais (Macmillan & C. D. Creelman, 2005):
Esperou-se que, comparando-se as duas condições, onde se supõe que a detectabilidade do individuo fosse a variável modulada, que o d’ variasse e o beta (critério) ficasse aproximadamente constante. 3. Resultados A partir deste parágrafo, para facilitar a compreensão, serão utilizadas as siglas de SUB para a palavra subliminar e SUPRA para a palavra supraliminar no decorrer do texto. Deste experimento, foram eliminados 5 sujeitos por desempenho insuficiente na tarefa base, abaixo de 56% de respostas corretas, o que estatisticamente deve ser considerado aleatório. Comparando as três condições, portanto incluindo-se a tarefa base como três medidas repetidas, verificaram-se não haver nenhum efeito global, demonstrando diferença significativa entre as três, para qualquer das variáveis apesar da condição de base da tarefa sem os distratores, ter sido efetuada primeiramente pelos sujeitos, ela não melhorou ou piorou o desempenho, significativamente, nas duas condições de interesse. A figura 01 mostra as médias das três variáveis, total de acertos, detectabilidade, e critério.
Em tal análise, tratando-se as três condições como medidas repetidas, não houve diferença significativa no total de acertos ou no índice de detectabilidade, Porém, houve uma diferença significativa do índice critério (F= 5,59 e P= 0,26). O “critério”, claramente menor para a condição de base (figura 02), diferiu significativamente na comparação das três condições, e mostrou efeito significativo da ordem das tarefas (F=7,63 e P= 0,01). Na comparação entre as tarefas SUB e SUPRA, quando tratamos apenas as duas condições de interesse, que estavam aleatorizadas entre os indivíduos, como medidas repetidas, também não houve diferenças significativas na detectabilidade e no total de acertos. Quanto ao índice critério, novamente houve um efeito significativo de ordem de apresentação (P= 0,05 e F=4,21), A figura 06 mostra o índice critério para as condições SUPRA e SUB, com indivíduos divididos quando à ordem de execução das tarefas. Figura 02 - Critério (± 1 desvio padrão), para as duas condições, com grupos de indivíduos divididos em função da ordem: 1= realizou primeiro a tarefa SUB; 2= realizaram primeiro a tarefa SUPRA.
Figura 03 - Falso-positivos (± 1 desvio padrão), para as duas condições, com grupos de indivíduos divididos em função da ordem: 1 = realizou primeiramente a tarefa SUB; 2 = realizaram primeiramente a tarefa SUPRA. Os sujeitos, em sua grande maioria, responderam que estavam bem no inicio das tarefas, e quando questionados ao final do experimento, disseram não se sentiam tão bem. Alguns sujeitos reportaram mal humor diretamente devido as imagens, consideradas pela maioria “ruins e pesadas”. Quando questionados em relação a haver percebido algo além dos estímulos neutros, na tarefa dos estímulos subliminares a grande maioria dos sujeitos respondeu dizendo que não viram nada, apenas brilhos, pedaços de figuras, ou algumas cores. Porém, apenas na proporção de 3% do que foi de fato apresentado. A grande maioria dos indivíduos disse que não gostou da tarefa de base, na proporção de 60%, considerando que o alvo era apresentado muito rapidamente (17ms). A maioria dos sujeitos considerou ter mais dificuldade com a tarefa de base e na tarefa SUPRA. Finalmente, um achado interessante, apesar de estatisticamente não significativo, foi à diferença de HITS (acertos) entre sexos. As mulheres foram mais prejudicadas no desempenho (e mais afetadas, por seus relatos). A figura 04 mostra a média e desvio padrão de HITS (acertos), separados por sexo.
Figura 04 - Detecções corretas (HITS) em função do sexo (masc = 1; fem = 2), em ambas as condições, subliminar e supraliminar. 5. Discussão Os sujeitos foram submetidos a efeitos de estímulos subliminares e supraliminares, usados como distratores repulsivos do IAPS, sobre tarefa de atenção visual. Os resultados encontrados vieram de encontro com experimentos como o de Bargh (1992), onde se demonstrou que as emoções, atitudes, objetivos e intenções podem ser ativados sem a participação da consciência e podem influenciar o modo de pensar e agir dos indivíduos nas situações sociais. A detectabilidade do alvo foi levemente inferior nas duas condições de interesse (SUB e SUPRA), comparadas com a condição base, mas não significativamente. Os fatores escolaridade e idade, o fator stress e visão defasada (apesar de serem dadas instruções aos sujeitos da necessidade de correção da visão), não controlados neste estudo, podem ter contribuído para o desempenho insuficiente de alguns sujeitos. Todos os sujeitos realizaram a primeira tarefa de base de atenção sem os distratores afetivos aversivos. Supunha-se que a fadiga e o treinamento, de influências opostas sobre o desempenho, poderiam ter se sobreposto a todas as pessoas do estudo. Porém, o efeito de treinamento parece haver impedindo a deterioração por nós esperada na tarefa base. Outra possibilidade é de exatamente os distratores levarem a uma maior concentração nas tarefas, por evitação dos estímulos aversivos. Foram encontrados alguns pontos críticos nos resultados deste experimento. Os resultados obtidos vão de encontro com os objetivos deste estudo, demonstrando que a estimulação subliminar afetou o desempenho na tarefa de atenção, porque a mudança de critério dos sujeitos que iniciaram primeiramente a tarefa subliminar em relação à próxima tarefa, a supraliminar, demonstraram uma modificação significativa do índice critério. Em relação aos objetivos específicos também foi demonstrado neste estudo que os estímulos utilizados do IAPS, quando apresentados de maneira subliminar ou supraliminar, têm efeitos distintos. Quanto à terceira hipótese do estudo, onde a preocupação era verificar a influência de ordem das tarefas, especificamente, se a estimulação subliminar prévia acentuaria os efeitos da estimulação supraliminar obteve-se resultados opostos à expectativa. O índice “critério” que demonstrou um efeito “destruidor” na tarefa SUPRA, isto é, alterou o resultado “critério” para todos os sujeitos que iniciaram a ordem da tarefa pelos estímulos SUB. A ausência de efeito significativo global tanto de total de HITS (acerto) e detectabilidade, parece dever-se ao fato da tarefa de base ter sido realizada sempre em primeiro lugar com todos os sujeitos. Constatou-se que houve um efeito de treinamento, porém a diferença de critério mostra que ocorreu uma mudança de estratégia de execução ao efeito de ordem de apresentação das tarefas ativos confirma esta hipótese de mudança de estratégia, tanto entre as três tarefas, quanto entre as duas principais. Constatou-se que o efeito de ordem sobre o critério deve-se a falso-alarmes: quem começou pela tarefa subliminar cometeu significativamente menos falso-alarmes nas duas tarefas de interesse. Isso significa que tal grupo de sujeitos, na ausência do alvo, rejeitou corretamente relativamente mais que o outro grupo. Além disso, quem iniciou pela tarefa SUB, “protegeu-se” na tarefa SUPRA a seguir, cometendo menos falso-alarmes nessa também. Ao contrário, quem começou pela SUPRA, parece haver sofrido efeito “devastador”, isto é, já cometendo relativamente mais falso-alarmes, e surpreendentemente, mantendo esse desempenho relativamente pior na tarefa SUB que realizaram a seguir. Apesar de não significativo o efeito de sexo sobre o desempenho, suspeita-se que com uma amostra maior, ou mais representada por mulheres, poderíamos observar um prejuízo geral de desempenho, devido a mais erros de detecção (menor número de HITS). 6. Conclusão O desempenho foi superior nas duas condições à tarefa de base de atenção, o que deve ser devido ao efeito de treinamento, mas o índice “critério” foi significativamente diferente, aumentando nas duas condições na tarefa SUB e a tarefa SUPRA em relação à tarefa de base. O achado mais importante foi o efeito da ordem de apresentação das duas tarefas principais da SUB e a SUPRA, sendo que o grupo que iniciou pela condição subliminar teve os valores e a “média do critério” superiores em ambas as condições. A análise dos componentes do índice “critério” revelou um aumento de falso-alarmes no grupo que iniciou a tarefa na condição supraliminar e que se manteve na condição subliminar, ao contrário o grupo que iniciou na condição subliminar, que manteve o número menor de falso-alarmes durante a condição supraliminar. Deve-se considerar que enquanto o hemisfério direito do cérebro faz a ação o esquerdo tende a explicar com alguma situação relevante que se encaixe no movimento. Borine (2005) alude sobre o pensamento de Le Doux que, comportamentos muitas vezes são atitudes sem consciência de suas razões, pois o comportamento é produzido por sistemas cerebrais de atividades não conscientes, visto que uma das principais tarefas da consciência é fazer da nossa vida uma história coerente, um autoconceito. O cérebro faz isso dando explicações para o comportamento com base em nossa auto-imagem, em lembranças do passado, em expectativas futuras, na situação social presente e no meio ambiente físico em que se produz o comportamento, sendo assim, parece que grande parte da vida mental acontece fora dos limites da percepção consciente. Segundo Le Doux, (2001), a emoção e cognição parecem atuar de forma não consciente, mas somente o resultado da atividade cognitiva e emocional é percebido conscientemente; os materiais e estímulos absorvidos que não ganham forma de conteúdos conscientes poderá ser armazenado e depois mais tarde passar a influenciar o pensamento e o comportamento. No presente caso, não se verificou o esperado efeito de estímulos subliminares acentuarem o efeito, supostamente distrator dos estímulos supraliminares, mas o contrário. Tal efeito contrário, “protetor”, significa que de fato, os estímulos subliminares influenciaram a tarefa subseqüente de modo significativo. A exploração de possibilidades neuropsicológicas voltadas para a compreensão da inter relação dos aspectos da consciência, emoção e cognição são de fundamental importância para a Psicologia da Consciência à medida que os aspectos biopsico e sociais determinam o comportamento. Este estudo demonstrando como os estímulos apresentados subliminarmente afetam a consciência humana no desencadeamento de efeitos emocionais à luz do desempenho da cognição, especialmente a atenção, pode abrir portas a novos experimentos que contribuam no auxilio da diminuição de diversas doenças, como ansiedade, fobias, depressão, e também facilitar a aprendizagem, as relações sociais e de trabalho. 7. Agradecimentos Agradeço particularmente às instituições: INIC (Instituto Integral da Consciência, Atibaia - SP), a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Nível Superior do Ministério da Educação). 8. Referências bibliográficas Andrade, V. M.; Santos, F. H. e Bueno, O. F. A. (2004). Neuropsicologia hoje. São Paulo: Artes Médicas. ISBN: 85-367-0008-4 Bargh J. A. (1992). Why subliminality does not matter to social psychology: Awareness of the stimulus versus awareness of its influence. In R. F. Bornstein $ I. S. Pittman 9Eds), Perception without awareness (pp.236-255). New York: Guilford Beversdorf, D. Q, Ferguson J. L, Hillier A, Sharma U. K, Nagaraja H. N, Bornstein R. A, Schare D. W. (2007). Problem solving ability in patients with mild cognitive impairment. Cogn. Behav. Neurol; 20:44-47 Borine, M.S. (2005). Como as emoções influenciam a nossa vida: o cérebro emocional. São Paulo: Mudanças, UMESP. Helene, A.F. e Xavier, G. F. (2003). A construção da atenção a partir da memória. Revista Brasileira de Psiquiatria, v. 25, Suplemento II, Jan., p. 12-20. Kolb, B. e Wishaw, I. Q. (2003).Fundamentals of Human Neuropsychological. 5th Ed. New York. Worth Publishers. Erdelyi, M.A. (1985). Psychoanalysis Freud’s Cognitive Psychology.Americam Psychology, New York: Freeman, 47, p.784-787, 1985. Lang, Bradley e Cuthbert. (1999). IAPS, International Affective Picture System. Laboratory attention and emotion, Florida University; Gainesville. Lang, Bradley e Cuthbert. (2005). IAPS, International Affective Picture System. Laboratory attention and emotion, Florida University; Gainesville. Le Doux, J. (2001). O cérebro emocional. Rio de Janeiro; Ed. Objetiva. MacMillan, N.A. e Creelmann, C.D. (2005). Detection Theory: A user’s guide.Lawrence Erlbaum Associates, Mahwah, New Jersey, 2nd edition. Marques, T.G. (2005).Diferenciando primação afectiva de primação cognitiva. Revista Análise Psicológica, v. 23, n.4, p. 437-447. Merikle, M. (1992).Investigações psicológicas de percepção inconsciente. Diário de estudos da consciência. USA. Volchan, E. (2003). Estímulos emocionais: processamento sensorial e respostas motoras. Revista Brasileira de Psiquiatria, vol. 25 supl. 2 São Paulo. Tulving, E. e Schater, D.L. (2002).Priming and human memory systems. Science, 247, n. 4949, P. 301-306. Notas (1) A insuficiência de exposição para a percepção consciente é geralmente baseada em redução a pequenas frações de tempos, mas também pode ser baseada em menor nitidez, menor definição, menor completude, volume, no caso de sons, ou outras formas que impeçam ou dificultem a percepção consciente. Nota sobre a autora " - M.S. Borine é Mestre em Psicologia da Saúde, docente e pesquisadora. Rua: Tranqüilo Luiz Rosa, 860 – ATIBAIA – São Paulo – Brasil. E - mail: inic.monica@terra.com.br ou contato@inic.com.br Fone: (0xx11) 4418-1318.
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