Como as narrativas satisfazem as principais motivações

Por Glaucio Aranha

Foi publicado na revista Self and Identity, um artigo teórico intitulado “Universal stories: How narratives satisfy core motives” (Histórias universais: como as narrativas satisfazem as principais motivações), de Costabile, Shedlosky-Shoemaker e Austin (2018), no qual os autores defendem a hipótese de que as histórias promoveriam o bem-estar social e psicológico, satisfazendo motivações centrais. Partem da para sobre o papel das narrativas nas vidas humanas e avançam com a argumentação, buscando estabelecer um entendimento sobre como elas se relacionariam com nossas principais motivações.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é 51xpvXCRMUL._SX327_BO1,204,203,200_.jpg

Neste sentido, relacionam a narratividade com as cinco motivações sociais apontadas por Susan Fiske, no livro “Social beings: Core motives in Social Psychology” (2010) como bases para a satisfação das necessidades humanas, a saber: pertencer, compreender, controlar, auto-aperfeiçoar e confiar.

O artigo “Universal stories” abre espaço para retomar discussões acerca do papel da narratividade como aspecto imanente à condição humana, ou seja, para pensar a produção e circulação de histórias, desde tempos imemoriais, como um princípio organizador da experiência do ser humano, que viabiliza a construção de representações acerca do que o cerca. Tais representações estabeleceriam bases para procedimentos perceptivos e interpretativos sobre a existência. Esses procedimentos, por sua vez, seriam consolidados socialmente como matrizes modeladoras, por exemplo, na formação da cultura de um povo (BRUNER, 1997, 2002). Nesse sentido, a narratividade desempenharia um papel cognitivo de organização de fragmentos informacionais (dados) na constituição de uma compreensão/interpretação do contexto em que se vive (TURNER, 1996). Assim, as narrativas e suas formas de transmissão (circulação) poderiam ser compreendidas como elementos relevantes para a própria constituição da percepção da condição humana.

Costabile e seus colegas (2018) argumentam que tanto narrativas autobiográficas, quanto narrativas de entretenimento, podem satisfazer as cinco principais motivações descrias por Susan Fiske. Para tanto, os autores estruturam seu artigo em seções individuais para cada um dos principais motivos. E, deste modo, apresenta separadamente evidências empíricas com o fim de sustentar a relação entre as narrativas (histórias) e as motivações centrais relacionadas.

Na conclusão, os autores destacam a necessidade de mais pesquisas interdisciplinares sobre narrativas, que coloquem foco em pesquisas que promovam o diálogo com as teorias e pesquisas psicológicas mais tradicionais, buscando interfaces que possam contribuir para o aprofundamento do tema. Além disso, acreditam que as abordagens narrativas podem representar um importante passo para a pesquisa de relacionamentos intergrupais, promovendo a superação de resistências da ala mais tradicional.

Referências

BERYTAND, D. Narratividade e discursividade: pontos de, referência e problemáticasSignificação: Revista De Cultura Audiovisual30(19), 9-50, 2003. https://doi.org/10.11606/issn.2316-7114.sig.2003.65567

BRUNER, Jerome. Atos de significação. Tradução de Sandra Costa. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

_______. Realidade mental, mundos possíveis. Porto Alegre: Artes Médicas, 2002.

Costabile, K. A., Shedlosky-Shoemaker, R., & Austin, A. B. Universal stories: How narratives satisfy core motives. Self and Identity17(4), 418-431, 2018. 

FISKE, S. T. . Social beings: Core motives in Social Psychology (2nd ed.). New York, NY: Wiley, 2010.

TURNER, M. The literary mind. Oxford: Oxford University Press, 1996.

Sobre o autor

É doutor em Letras (área: Literatura Comparada), pela Universidade Federal Fluminense (UFF); mestre em Comunicação, Imagem e Informação (área: Novas Tecnologias da Comunicação e da Informação), pela Universidade Federal Fluminense (UFF); e graduado em Direito, pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). É pesquisador-líder do grupo de pesquisa *Homo Narrans: narratividade, produção de sentido e construção da realidade*, no qual coordena as linhas de pesquisa: *Literatura fantástica e produção de sentido*, *Narrativas verbo-visuais e intermidialidade* e *Narratividade, semiose e cognição*; e co-líder do grupo *Neuroeduc – Centro de Estudos em Neurociências e Educação* (OCC/UFRJ), no qual integra a coordenação da linha de pesquisa *Narratividade, Experiência Estética Intersemiótica e Cognição*, com foco no uso de narrativas no ensino e na divulgação científica. É pesquisador associado do “Núcleo de Novas Tecnologias e Mídias” – NNOTEM, do IBCCF/UFRJ. Pesquisador associado do *Núcleo de Divulgação Científica e Ensino de Neurociências – Ciências e Cognição*, da UFRJ (CeC-NuDCEN/IBCCF/UFRJ), onde desenvolve estudos sobre semiótica cognitiva. Atua, ainda, na Divisão de Ensino e Pesquisa, da Escola de Administração Judiciária (DIEPE/ESAJ), do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Tem experiência nas áreas de: teoria literária e da narrativa, estética, semiótica, divulgação científica, e cultura pop. Lattes: http://lattes.cnpq.br/1047823602449101

Entrevista com Alfred Sholl Franco para o portal ComCiência

Entrevista com Alfred Sholl Franco para o portal ComCiência, em 09 de março de 2019, na qual são abordados os temas: comunicação científica, neurociências, educação e envelhecimento saudável. A entrevista intitulada “Alfred Sholl: ‘Pessoas bem informadas tendem a cometer menos erros de juízo’“, foi realizada por Luanne Caires. A seguir trechos da entrevista:

O termo neurociências abrange diferentes ciências, com amplas abordagens. O que caracteriza a base comum de todas elas?

No caso das neurociências, a base comum é o foco no sistema nervoso, e há uma busca das diferentes áreas para demarcarem suas prioridades. Isso não quer dizer que uma área é mais importante do que a outra, mas as visões são sempre direcionadas, dependem do histórico e da formação de quem organiza o grupo de pesquisa. (…) Neurociência é um termo abrangente e sujeito a muitos questionamentos. Uma boa maneira de perceber isso é quando uma pessoa se diz neurocientista. É difícil saber exatamente com o que ela trabalha. Eu, por exemplo, coordeno o Núcleo de Estudos em Neurociências e Educação (Neuroeduc). Nele há profissionais e estudantes de fonoaudiologia, educação física, matemática, psicologia, biomedicina. A premissa é um trabalho multidisciplinar e transdisciplinar, que também caracteriza vários outros grupos da área no Brasil, como o Neuroeduca, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e o Instituto do Cérebro, no Rio Grande do Norte.”

O termo neuro ganhou muito glamour nos últimos anos e praticamente qualquer conteúdo associado às neurociências chama a atenção. Não é difícil entender o fascínio pelo nosso cérebro, mas a “glamourização” das neurociências tem riscos. Como lidar com isso?

As pessoas colocam o prefixo neuro(-) em tudo. (…) O maior remédio para essa glamourização é a informação. As pessoas precisam saber onde conseguir informações corretas e confiáveis. Não adianta ler o blog de qualquer um. Vá ao site de universidades, fontes oficiais, institucionais. E, se for um pesquisador, procure o currículo. A plataforma Lattes, por exemplo, é uma fonte confiável de currículos.

(…)

Divulgar é importante porque pessoas bem informadas tendem a cometer menos erros de juízos, menos erros de interpretação e, portanto, serão avaliadoras melhores das necessidades da sociedade e ajudarão a tecer políticas públicas. É isso que tentamos fazer com o núcleo Ciências e Cognição, na UFRJ: investir em novos ramos para promover conscientização pública. De modo geral, as neurociências têm caminhado bastante em promover divulgação científica. Uma boa iniciativa aqui no Brasil é a Semana do Cérebro. Começamos há dez anos e há oito ela é nacional, ajudando a estimular mais ainda o processo de alfabetização científica da população.

Parte da conscientização sobre as neurociências passa pela educação. Do mesmo modo, o conhecimento científico pode contribuir muito para as práticas escolares. Quais são os principais desafios em aproximar os avanços no conhecimento e a prática em sala de aula?

Quando ensinamos a criança a discutir, a refletir sobre concepções, estamos investindo não em curto prazo, mas em longo prazo. Por isso estamos criando a RedENeuro no Rio de Janeiro. Essa é uma rede de estudos em neurociências que fomentará o desenvolvimento de pequenos projetos de pesquisa nas escolas. A ideia é formar pequenos cientistas que tenham visões distintas sobre as neurociências, em parceria com professores de física, química, biologia, português, matemática. Vamos tentar fazer a primeira mostra do projeto durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, em outubro.

Ciências e Cognição recebe escolas para atividades na IX Semana do Cérebro do Rio de Janeiro em 2018. Imagem: Ciências e Cognição.

Outro ponto importante é promover a formação inicial e continuada dos profissionais da educação. São poucas as universidades que ofertam cursos de neurociências para pedagogos e licenciandos, por exemplo – e essa é uma mudança que não ocorre de um momento para o outro e não basta simplesmente mudar o currículo. Uma formação adequada sobre o desenvolvimento é especialmente importante na pré-escola e no ensino infantil, quando a criança está em um período crítico de desenvolvimento cerebral e estabelecimento de circuitos neurais. (…).

Também temos que pensar em por que o conhecimento tem que ser produzido no centro de pesquisa e depois ir para a escola? Por que não podemos capacitar professores, coordenadores pedagógicos e outros profissionais a trabalharem em conjunto com os pesquisadores? Atualmente, os dois mundos (da escola e da ciência) não se veem como pares. A escola acha que os pesquisadores não a escutam e não querem saber do que ela precisa, e os pesquisadores estão preocupados com a captação de verba. Como pesquisador, ao escrever um projeto, uma preocupação é como contemplar o edital. Faltam editais que promovam ou incentivem a integração com as escolas, o que tira, muitas das vezes, a realidade da escola de vista. Outro problema é que as escolas resistem à presença do pesquisador porque ele coleta os dados e nunca volta. Não há um retorno dos resultados da pesquisa para a escola. Assim, para tentar resolver essa falta de diálogo, essa falta de apoio, estamos desenvolvendo a RedENeuro.

Hoje passamos muito tempo trabalhando e interagindo socialmente por meio de telas e redes sociais. Como essa nova dinâmica de ferramentas e relações interpessoais afeta o funcionamento cerebral?

A imersão nesse mundo tecnológico e de redes sociais pode comprometer a capacidade de atenção e dedicação do sistema nervoso. Entretanto, essas mudanças não são ruins nem boas, elas são a realidade atual. Então temos que aprender a lidar melhor com elas. No caso das crianças e jovens que ainda estão em desenvolvimento, por exemplo, não adianta privar. Temos que supervisionar e direcionar o uso, como já aconteceu com o carro e com a televisão. Avaliar o quanto a ferramenta é útil e o quanto é prejudicial para o indivíduo. (…) As ferramentas tecnológicas cativam: um aluno hoje assiste a dez pequenos vídeos de três minutos sobre um assunto se você direcionar o que ele deve assistir, mas ele não consegue ler o livro por meia hora. Hoje em dia eu uso aplicativos para ensinar conteúdos de neurociências nas minhas aulas na UFRJ, assim como produzimos materiais em diferentes mídias, disponíveis no nosso site e canal do YouTube.

Que hábitos podemos ter para envelhecer com uma melhor saúde do sistema nervoso?

(…) Nosso sistema nervoso se transforma a partir de cada informação que chega desde que estamos dentro da barriga da mãe. Eu diria que uma boa alimentação, exercício físico e estimulação contínua forma uma boa receita. Não podemos pensar que estamos velhos demais para fazer alguma coisa. Em qualquer momento da vida você pode aprender uma segunda, terceira, quarta e décima língua, aprender a dançar, sair para apreciar o mundo, fazer meditação. É preciso lembrar que o envelhecer é resultado do conjunto de fatores da nossa vida inteira, que começamos a envelhecer desde que somos gerados.

Existem muitas compreensões equivocadas sobre conceitos das neurociências. Quais são os principais equívocos que ainda persistem no imaginário social?

Um equívoco que ainda persiste muito nas escolas, por exemplo, é que a gente não usa o sistema nervoso todo. Muitos alunos e professores acham que só usamos uma porcentagem (o mito dos 10%). Outro mito é o de que o uso de drogas não afeta o sistema nervoso, porque sempre tem aquele exemplo do amigo que usou e não aconteceu nada. (…) Nosso sistema nervoso trabalha com uma margem de reserva, temos certa plasticidade, mas com a idade pagamos o preço. E há o mito da ginástica cerebral, de que a prática de exercícios no celular ou no computador deixa a pessoa mais inteligente. Ficar encaixando um desenho dentro do outro ou decorando o caminho traçado entre pontos é um bom exercício mental? Sim. Mas isso agiliza o raciocínio, a memória operacional, a atenção, o que é diferente de deixar a pessoa inteligente, melhorar o desempenho no processamento de informações de matemática, linguística, história, geografia. (…)

(…)

Estamos na década da mente. O objetivo é entender melhor como os processos mentais se integram, sejam eles genéticos, comportamentais, sociais, educacionais. Por isso, uma área de grandes descobertas será aquela relacionada à compreensão de como os processos mentais estão conectados. A terapia gênica também é outra área com potencial para grandes revoluções, porque pode diminuir a progressão ou mesmo evitar a instalação de doenças relacionadas ao sistema nervoso.

Leia a entrevista completa no link:
http://www.comciencia.br/alfred-sholl



Neurociências em Debate: “Cannabis causa rompimento de circuitos neurais”

cannabis-151920_1280O blog “Neurociências em Debate” publica material sobre “Cannabis causa rompimento de circuitos neurais”. O texto informa que pesquisadores conseguiram esclarecer mecanismos importantes envolvidos na formação da circuitaria cerebral. Descobriram ainda que o tetraidrocanabinol (THC), substância psicoativa presente na Cannabis, causa rompimento dos circuitos neurais. Saiba mais em: http://cienciasecognicao.org/neuroemdebate/?p=3214

Game transmídia desperta interesse de jovens pelas neurociências

[CLIPPING: ESTADÃO]

Game transmídia desperta interesse de jovens pelas neurociências

LUÍS GUILHERME JULIÃO – ESPECIAL PARA O ESTADO

09 Dezembro 2015 | 16h 13

NeurAventura faz estudantes transitarem por diferentes mídias como redes sociais, vídeos e quadrinhos

Um jogo no estilo RPG vem despertando o interesse de jovens do ensino médio pelas neurociências. Por meio de vídeos, quadrinhos e entradas para redes sociais, o NeurAventura permite que os alunos participem ativamente da construção de narrativas, garantindo estímulo extra para as pesquisas sobre o tema. Atividade que já serviu de motivação para pelo menos uma escolha de futuro, a de Alan Santos Ferreira, hoje com 22 anos.

Quando teve contato com o game pela primeira vez, em 2011, ainda como aluno do Ciep João Saldanha, de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Alan não poderia imaginar a importância que ele teria em sua vida. Em maio deste ano, ele sofreu um AVC isquêmico, que deixou o lado direito de seu corpo paralisado. Não tardou para se lembrar do aprendizado que teve com o jogo e entender melhor o que se passava com ele.

“O game me fez pensar sobre os neurônios e todos os assuntos relacionados às neurociências”, conta o jovem. “Agora, só de ver meu corpo reaprendendo a fazer os movimentos, me interessei ainda mais, já que os neurônios que morreram tiveram que dar lugar a novos neurônios para que eu pudesse movimentar meu braço e minha perna novamente.”

Alan conta que o jogo não despertou o interesse apenas dele, mas de todos os colegas da escola. “Era algo incrível, você tinha que ver como os alunos ficavam quando viram o game pela primeira vez.” Quatro anos depois, após o AVC e tendo que passar por tratamentos para recuperar os movimentos, ele decidiu que vai fazer faculdade de fisioterapia.

Criado pelos professores Glaucio Aranha e Alfred Sholl, da Organização Ciências & Cognição, o NeurAventura pretende servir como ferramenta educacional e fazer os estudantes transitarem por diferentes linguagens. “A ideia não é criar um jogo com conteúdo pré-determinado a ser passado, mas desenvolver uma plataforma que contribua para o ensino das neurociências de forma complementar, estimulando os participantes a iniciar um processo voluntário de pesquisa de informações sobre o tema”, explica Aranha, acrescentando que o projeto está em permanente desenvolvimento. “Dá para tratar desde aspectos de neuroanatomia até discussões sobre bioética.”

Coordenador do curso de jogos digitais da Universidade Metodista de São Paulo e autor do livro Tecno-pedagogia: os Games na Formação dos Nativos Digitais, Leandro Key Yanaze diz que essas ferramentas  servem como motivação e meio de aprendizado. “Quem joga está mais apto a ter uma atuação interdisciplinar e a desenvolver outras competências que não estão previstas na grade curricular.”

Yanaze elogia o NeurAventura. “Nunca vi no Brasil um exemplo tão rico de utilização de múltiplas plataformas digitais”, afirma. De acordo com o professor, o 1º Censo da Indústria Brasileira de Jogos Digitais, encomendado pelo BNDES em 2014, apontou que 27% das empresas que atuam no setor desenvolvem jogos na linha Serious Game, que vão além do entretenimento, como os de exploração científica.

Fonte: Estadão – Disponível em: http://goo.gl/oHtyqS

Efeitos Sociais da Leitura (resenha de artigo)

Foi publicado este ano na revista científica Poetics, o artigo “The effects of reading material on social and non-social cognition“, no qual as pesquisadoras da Universidade de Oklahoma, Jessica Black e Jennifer Barnes, realizaram um experimento replicando um estudo de David Kidd e Emanuele Castano, de 2013, que defendia a ideia de que a leitura de ficção melhoraria aspectos mentais como empatia e outros.

A partir do estudo original, Black e Barnes também testaram se a leitura de ficção e não-ficção melhoravam a cognição de um modo mais geral. Para tanto, além de medirem os resultados da empatia e teoria da mente (Baron-Cohen et. al., 2001), elas aplicaram também outra forma de medição com o fim de compreender a física intuitiva.

Girl-Reading-Book

Black e Barnes contaram com a participação de 91 pessoas em seu experimento, que consistiu na leitura de duas estórias de caráter literário e dois ensaios não-ficcionais, por cada um dos participantes, em duas sessões distintas.

Na primeira sessão, os participantes foram designados, aleatoriamente, para dois grupos de leitura um para uma estória ficcional e outro para um ensaio não-ficcional. Após a leitura, foram aleatoriamente encaminhados para que realizassem o teste “Mind in Eyes” ou o teste “Intuitive Physics”. Realizaram, a seguir, outra testagem, lendo os demais textos (respectivamente, outro texto ficcional e um outro ensaio não-ficcional). Ao fim, foram realizados novos testes diferentes dos anteriores. Houve, então, uma pausa e os participantes realizaram a segunda sessão de leitura e testagem, na qual aqueles que haviam previamente lido ficção e ensaios não-ficcionais se inverteram.

Os principais resultados obtidos apontaram para o fato de que os participantes que fizeram a leitura de ficção, mas não os de não-ficção, melhoravam sua empatia e teoria da mente em termos de pontuações no teste “Mind in Eyes”, mas nem o grupo que leu ficção, nem o que leu não-ficção obtiveram melhora na compreensão do teste “Intuitive Physics”.

A partir de estudos iniciados por Raymond Mar et al. (2006), nos quais foi encontrada uma associação da leitura de ficção com a melhora da empatia e teoria da mente, assumiu-se que pelo fato da ficção, em grande parte, tratar do “self” de seres projetados como existentes em um mundo social, então o resultado da leitura passaria pela construção cognitiva do domínio social. Todavia, talvez, o efeito não passe apenas pelo raciocínio no domínio social. Os resultados de Black e Barnes vão de encontro aos estudos de Raymond Mar (2007), relatados no corpo da tese de doutorado “Simulation-based theories of narrative comprehension: Evidence and implications“, que defendem a inexistência de efeito quer da leitura de ficção, quer de não-ficção sobre o raciocínio analítico, em testes de tomada de decisão por estudantes de Direito. Ou seja, os últimos resultados surgidos da reaplicação da experiência reforçam o entendimento de que haveria efeito sobre o nível empático de de teoria da mente, mas ainda deixa em aberto outros possíveis efeitos.

(Glaucio Aranha)

Referências

Baron-Cohen, S., Wheelwright, S., Hill, J., Raste, Y., & Plumb, I. (2001). The “Reading the Mind in the Eyes” Test Revised version: A study with normal adults, and adults with Asperger’s syndrome or high-functioning autism. Journal of Child Psychology and Psychiatry, 42, 241-251.

Black, J. E., & Barnes, J. L. (2015). The effects of reading material on social and non-social cognition. Poetics, 52, 32-43.

Kidd, D. C., & Castano, E. (2013). Reading literary fiction improves theory of mind. Science, 342, 377-380.

Mar, R.A. (2007). Simulation-based theories of narrative comprehension: Evidence and implications. Unpublished doctoral dissertation, University of Toronto.

Mar, R. A., Oatley, K., Hirsh, J., dela Paz, J., & Peterson, J. B. (2006). Bookworms versus nerds: Exposure to fiction versus non-fiction, divergent associations with social ability, and the simulation of fictional social worlds. Journal of Research in Personality, 40, 694-712.

Image: http://goo.gl/GrLw9O

 

 

Neuroeducação e a primeira infância

O neurocientista Alfred Sholl-Franco, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, fala sobre neuroeducação e a primeira infância no programa ‘Cidadania’, da TV Senado.

 

Programa exibido no canal: Cidadania – Neurociências e Educação, da TV Senado, e publicado na internet em 08/12/2014.

Lançamento do livro “Desenhando Emoções” no Senado Federal

Alfred Sholl - Senado Federal 1No Senado Federal, Alfred Sholl Franco e Anna Carolina Miguel fazem o lançamento do livro “Desenhando Emoções” (Ciências e Cognição, 2014). O livro conta, ainda, com a co-autoria de Scarlet Guedes. A obra é direcionada ao público infanto-juvenil, aborda de modo lúdico o uso o do desenho de fases e a bases da compreensão anatômica a expressão de emoções para crianças e adolescentes.

 

Capítulo sobre “Neuroeducação e Inteligência”

Este mês foi lançado o livro “Altas habilidades/superdotação, inteligência e criatividade“, que conta com um capítulo, da autoria de Alfred Sholl-Franco, Talita Assis e Tatiana Maia, sobre “Neuroeducação e Inteligência: como as artes e a atividade física podem contribuir para a melhoria cognitiva” (pp. 139-160).

Mais informações sobre a obra:

Virgolim, A.M.R. & Konkiewitz, E. (2014). (Orgs.). Altas habilidades/superdotação, inteligência e criatividade. Campinas: Papirus.
Altas habilidades/superdotação, inteligência e criatividade (Editora Papirus), organizado por mim e pela Neurologista Elizabete Konkiewitz, da Universidade Federal da Grande Dourados, contendo 19 capítulos escritos por eminentes pesquisadores nacionais e um internacional nas áreas de psicologia, medicina e educação. Fundamental para psicólogos, educadores e outros profissionais interessados na área.
Link para compra: clique aqui

Análise do conhecimento geral sobre neurociências por profissionais da educação, estudantes e público em geral

Rodrigo Pinheiro da Silva, Alfred Sholl Franco - XXXVIII SBNeC 2014Foi apresentado na XXXVIII Reunião da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC), o trabalho de Rodrigo Pinheiro da Silva e Alfred Sholl Franco, ambos integrantes do grupo de pesquisa Neuroeduc, de Ciências e Cognição. O pôster teve como título “Análise do conhecimento geral sobre neurociências por profissionais da educação, estudantes e público em geral no município do Rio de Janeiro e Região do Grande Rio” e apresenta os resultados parciais de uma larga pesquisa empírica na área de neuroeducação. Segue abaixo o resumo publicado nos anais do evento:

RESUMO
Introdução
O processo de conscientização auxilia a sociedade na formação de um juízo crítico e no diálogo para a construção do conhecimento. É através da conscientização sobre os mais diversos assuntos que se possibilita a gênese da criticidade e da diversidade de ideias e pensamentos, bases para a reflexão e a formação de juízos e cognição. As neurociências tem muito a contribuir para a sociedade e para a construção dos conhecimentos presentes no nosso dia-a-dia e em sala de aula.
Objetivos
Este trabalho teve por objetivo avaliar o nível de conscientização sobre neurociências e sua importância na população da cidade do Rio de Janeiro e da região do Grande Rio.
Métodos
Foi utilizado um questionário semi-estruturado com perguntas objetivas e abertas, dividido em duas seções: (1) para a identificação e classificação dos participantes quanto a população em que seria incluído (profissionais da educação, PE, n = 100; alunos, AL, n = 787; público em geral, PG, n = 887); (2) para a avaliação do nível de conhecimento dos participantes sobre neurociências. A aplicação do questionário foi realizada entre janeiro de 2012 e maio de 2014, por pesquisadores, docentes e alunos vinculados ao Núcleo de Estudos em Neurociências e Educação (Neuroeduc), durante eventos de divulgação científica promovidos pelo Museu Itinerante de Neurociências (http://www.cienciasecognicao.org/min).
Resultados e Conclusões
Nossos resultados mostram níveis significativamente diferentes de conhecimento sobre o termo neurociências nas regiões estudadas, o que é demonstrado pela porcentagem de respostas coerentes obtidas no Rio de Janeiro (75%, PE; 40%, AL; 47%, PG) e na região do Grande Rio (45%, PE; 29%, AL; 43%, PG) para a pergunta “o que são neurociências?”. Ao serem questionados sobre as possíveis contribuições das neurociências para a sociedade, nossos participantes demonstraram ter um elevado índice de desconhecimento, tanto no Rio de Janeiro (35%, PE; 11%, AL; 16%, PG), quanto no Grande Rio (21%, PE; 28%, AL; 34%, PG. Avaliamos também o conhecimento dos participantes sobre as contribuições das neurociências para a educação: respostas coerentes no Rio de Janeiro (53%, PE; 20%, AL; 27%, PG) e nos municípios do Grande Rio (86%, PE; 33%, AL; 53%, PG). Dentre as principais mídias utilizadas para obtenção de informações sobre neurociências destacamos para o Rio de Janeiro a Internet, através do acesso a sites, blogs e Wikipédia, enquanto que para o Grande Rio temos a Internet (através de sites e blogs) e materiais impressos (jornais e revistas). Quanto aos assuntos de maior interesse envolvendo neurociências, tivemos, no Rio de Janeiro, um predomínio para os seguintes assuntos: educação, pensamento, cognição, sono e sonhos e comportamentos. Na região do Grande Rio os temas de maior interesse foram: aprendizagem e memória, doenças degenerativas do sistema nervoso (como Alzheimer e Parkinson), sono e sonhos. Nossos resultados sugerem nítidas diferenças no nível de conscientização sobre neurociências e sua importância entre as populações estudadas, principalmente quando levamos em consideração a localização das populações em um grande centro urbano (Rio de Janeiro) ou na região metropolitana e periférica deste mesmo centro e que compreende os municípios do Grande Rio. Apoio Financeiro: PR-5/UFRJ, PROEXT-MEC/SESU, FAPERJ e Organização Ciências e Cognição.

Palavras-chave: Conscientização, Divulgação, Neurociências

Forma de citação:

SILVA, R.P. e SHOLL-FRANCO, A.S. Análise do conhecimento geral sobre neurociências por profissionais da educação, estudantes e público em geral no município do Rio de Janeiro e Região do Grande Rio. In: XXXVIII REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEUROCIÊNCIAS E COMPORTAMENTO (SBNeC), 38, 2014. Búzios. Resumos da XXXVIII Reunião Anual da SBNeC [online]. São Paulo: SBNEC, 2014. Disponível em  http://sigeventos.com.br/sbnec2014/inscricao/mostra_resumo.asp?traId=1&insId=616  , 07/10/2014, às 17:21.

 

“Neurociências em Debate” publica matéria sobre autismo na infância

O blog “Neurociências em Debate”, de Ciências e Cognição, publica matéria sobre autismo na infância.

Timothy-Archibald-300x216

Trecho:

“É muito comum encontrar crianças que parecem muito tímidas, medrosas ou que se recusam a seguir uma instrução simples, como aquelas que fazem uma grande “pirraça” ao ouvirem um “não pode!”. Talvez você já tenha tido a oportunidade de observar crianças brincando na pracinha e notou que elas mostram comportamentos e interesses diferentes umas das outras. Diferenças no ritmo do desenvolvimento é normal entre crianças de mesma idade1,2. No entanto, indícios de atraso no desenvolvimento devem ser motivo para uma avaliação cuidadosa quando a supervisão requerida pela criança continua intensiva a medida que o tempo passa. Sinais de atraso no desenvolvimento são notados quando a criança parece não aprender habilidades típicas de sua fase de desenvolvimento, e a rotina de cuidados torna- -se exaustiva para a família. Nesse caso, o diagnóstico de distúrbios do espectro autismo precisa ser considerado.”

Leia o texto completo em: http://cienciasecognicao.org/neuroemdebate/?p=1848