Pesquisadora do CeC-NuDCEN estuda TGD

A professBianca Fonsecaora colaboradora da UERJ, psicopedagoga e terapeuta na Movimento Uniforme Reeducação Cognitivo-motora e Neurorreabilitação, Bianca Fonseca, fala sobre o desenvolvimento de sua pesquisa, que busca facilitar a acessibilidade ao desenvolvimento sensório-motor de crianças com Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD).

Ciências e Cognição: Como é composta a equipe do projeto?

Bianca: O projeto é composto por uma equipe transdisciplinar de profissionais das áreas da ciência da motricidade humana, pedagogia, psicopedagogia, fonoaudiologia, psicologia, biologia, psicomotricidade, fisioterapia e neurociências, além de tecnólogos e engenheiros do INT e ainda as crianças diagnosticadas com TGD atendidas hoje pela AAPA e selecionadas para participarem dessa pesquisa.

Ciências e Cognição: Quais as dificuldades apresentadas por essas crianças que possuem TGD?

Bianca:
Com relação à interação social, elas apresentam dificuldades em iniciar e manter uma conversa; algumas evitam o contato visual e demonstram aversão ao toque do outro, mantendo-se isoladas. Podem estabelecer contato por meio de comportamentos não verbais e, ao brincar, preferem ater-se a objetos no lugar de movimentar-se junto das demais crianças. Os Transtornos Globais do Desenvolvimento também causam variações na atenção, na concentração e, eventualmente, na coordenação motora.

Ciências e Cognição: O TGD, Transtorno Global de Desenvolvimento, também pode ser chamado de autismo? Se não, qual a diferença entre eles?

Bianca: Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD) é um transtorno que compromete o desenvolvimento do sujeito devido a distúrbios nas interações sociais recíprocas que costumam manifestar-se nos primeiros cinco anos de vida. Caracterizam-se pelos padrões de comunicação estereotipados e repetitivos, assim como pelo estreitamento nos interesses e nas atividades. O TGD engloba os diferentes transtornos do espectro autista, as psicoses infantis, a Síndrome de Asperger, a Síndrome de Kanner e a Síndrome de Rett.

Ciências e Cognição: O que é integração sensorial, qual seu papel no aprendizado e sua importância para o desenvolvimento desta pesquisa?

Bianca: A Integração Sensorial é o processo pelo qual o Sistema Nervoso Central organiza estímulos sensoriais para fornecer respostas adaptativas às demandas do ambiente. Respostas adaptativas exigem que o indivíduo experimente um tipo e uma quantidade de estimulação sensorial que desafia, mas não sobrecarrega o sistema nervoso central a fim de que o sujeito possa modular o estímulo captado no ambiente e possa elaborar respostas motoras que melhor respondam a essa demanda. Uma desordem, como o TGD (transtorno global do desenvolvimento) pode conduzir a interações desorganizadas e não adaptativas com o meio. Tem sido demonstrado em nossa pesquisa, a importância dos sistemas tátil e vestibular-proprioceptivo como sistema de unificação, cuja operação eficiente promove o desenvolvimento geral de comportamentos e que a estimulação contextualizada, através de atividades sensoriais, produz modificações neurofisiológicas caracterizadas pela ativação de redes neurais através do qual o cérebro recebe, registra e organiza o input sensorial para uso na generalização das respostas adaptativas do sujeito através de seu corpo ao meio circundante. Os inputs vestibular e somatossensoriais têm um papel vital na criação de modelos precisos do corpo para o controle postural necessário à orientação corporal em relação à gravidade e ao meio. O processo de feedback sensorial produzido pelo movimento permite adaptação de ações motoras às mudanças das demandas do meio e das tarefas e facilita a aprendizagem motora, assim como componentes de aprendizagem perceptual e cognitiva. Logo, integração saudável e respostas aos inputs sensoriais não é apenas a base da aprendizagem, mas também a base desenvolvimento emocional e social, autoconceito e auto regulação do indivíduo.

Ciências e Cognição: Que resultados a pesquisa já aponta?

Bianca: Os resultados preliminares demonstraram um aumento de respostas depois de oficinas com o uso do material testado em 80% dos participantes, o que sugere que a integração sensorial estimulada por ambientes enriquecidos multissensoriais promovem respostas mais adaptativas ao meio ambiente. Este efeito pode estar relacionado à atenção, provavelmente gerando aumento da discriminação intrassensorial em crianças com TGD que apresentam dificuldade para realizar tarefas cotidianas.