Neuroética e o processo de dirupção no desenvolvimento moral de adolescentes

Veja o conteúdo exposto no trabalho “Neuroética: contribuições para o entendimento do processo de dirupção no desenvolvimento moral de adolescentes escolares violentos”, apresentado durante a XXXVII Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC)! O congresso realizado no campus da UFMG em setembro buscou unir pesquisadores, pós-graduandos e estudantes de todo o país que estivessem envolvidos com as nuances distintas do estudo do Sistema Nervoso.

“Neuroética: contribuições para o entendimento do processo de dirupção no desenvolvimento moral de adolescentes escolares violentos” 

Ênio Dias Junior¹,², Fabricio Cardoso¹,², Iris do Céu de Lima e Silva ¹,²,³, Alfred Sholl-Franco², Heron Beresford¹,²

(1) Laboratório de Temas Filosóficos em Conhecimento Aplicado (LABFILC), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ); (2) Centro de Estudos em Neurociências e Educação (NEUROEDUC), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); (3) Laboratório de Desenvolvimento e Regeneração Neural (LDRN), Universidade Federal Fluminense (UFF). Email para contato: eniodiasjr@gmail.com

 

INTRODUÇÃO

A violência é considerada um problema epidêmico presente na sociedade e ainda não resolvido de forma satisfatória. A  conduta violenta tem sido observada em particular em adolescentes no ambiente escolar,  onde ressaltamos o envolvimento de jovens em atitudes como: agressões, depredação de patrimônio público, furtos e o uso de drogas. Assim, esse tipo de comportamento pode ser considerado um diruptivo no processo de desenvolvimento moral dos jovens, o que pode estar relacionado às alterações morfológicas e funcionais nas estruturas cerebrais envolvidas com o processamento do julgamento moral.

 

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OBJETIVOS

Mapear as representaçãoes vigentes, sob o foco da neuroética, acerca do modo como o cérebro humano julga o agir sob o ponto de vista da moral (o cérebro moral), ou seja, o aspecto neurofuncional da ética, visando contribuir para a compreensão da dirupção do desenvolvimento moral de adolescentes, bem como para minimizar a violência no âmbito escolar.

 

METODOLOGIA

Revisão sistemática da literatura produzida  a partir de pesquisa bibliográfica em bancos de dados eletrônicos (Pubmed, Science Direct, Biomed Central, Scielo, LILACS e IBECS) para publicações realizadas até junho de 2013. As palavras-chave (em inglês) utilizadas foram: adolescent, moral development, moral judgment, moral education, moral dilemmas, moral maturity, brain, social brain, neuroethics, school violence, decision making e empathy. Utilizamos a combinação de duas ou três palavras-chave nesta pesquisa.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A partir da pesquisa bibliográfica realizada, verificamos que as condutas e/ou comportamentos violentos dos adolescentes podem ser entendidos como expressões da falta de vivências e reflexões de dilemas morais. Partindo de uma análise da adolescência como a fase de formação das relações sociais, observamos a maturação dos processos neurobiológicos subjacentes às funções cognitivas superiores e aos comportamentos social e emocional, os quais possibilitam a aquisição de habilidades, atitudes e comportamentos que serão a base para a vida adulta em uma consciência moral autônoma.

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O córtex pré-frontal, envolvido no julgamento moral, e o sistema límbico, relacionado com as emoções e o sistema de recompensa, sofrem uma reorganização durante a adolescência que está relacionada com a tomada de decisão em dilemas morais pessoais e impessoais. As áreas encefálicas onde ocorrem a construção de relações sociais e de moralidade estão associadas com outros processos tais como atenção, motivação e impulsividade, sendo vulneráveis ao uso de algumas substâncias psicoativas como o álcool, maconha e outras. Neste sentido, a adolescência é caracterizada como um período de vulnerabilidade e de alta plasticidade neuronal. Assim, os dados coletados nesta revisão mostram a necessidade de expor os adolescentes à atividades que propiciem a vivência de situações que envolvam dilemas morais, a fim de que seja promovida a ativação das estruturas neurais envolvidas no julgamento moral das próprias ações e dos outros.

 

CONCLUSÃO

Estudos sob a ótica das neurociências, em particular da neuroética, devem ser conduzidos para verificar a influência da conduta e do ambiente violentos na dirupção do desenvolvimento moral de adolescentes, o que pode contribuir para a formulação de atividades que envolvam dilemas morais e emoções no âmbito escolar, promovendo nos adolescentes o exercício da tomada de decisões morais, evidenciando critérios como justiça, cidadania e humanidade e, por conseguinte, expondo os mesmos à percepção sobre o agir violento.

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