Conferencista Alfred Sholl fala sobre novos caminhos para a educação do século XXI em evento na Assembleia Legislativa de Porto Alegre (RS)

Conferencista Alfred Sholl fala sobre novos caminhos para a educação do século XXI em evento na Assembleia Legislativa de Porto Alegre (RS)

O mestre e doutor em biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o professor Alfred Sholl-Franco,

foi o segundo conferencista do 1º Fórum Internacional de Ciência da Mente, Cérebro e Educação, evento realizado pela Comissão de Educação nessa segunda-feira (6), no Teatro Dante Barone. Ele falou sobre o tema Neuroeducação: novos caminhos para uma pedagogia do século XXI.

O professor introduziu seu tema contextualizando os problemas da educação no Brasil e, em especial, do estado do Rio de Janeiro, onde atua. Ele classificou os Índices de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do país muito baixos, mas percebe que os governos estão reformulando suas políticas públicas para reverter esse quadro. “O nível do aluno na universidade está despencando”, observa. Em parte, ele credita isso ao fato de que os estudantes estão “preocupados com outras mil coisas, estimulados por outras mil coisas”. É o tocador de música, o computador ou o celular que também está conectado na tv, vários controles remotos, tudo ao mesmo tempo. “Isso traz mudanças na humanidade. O nosso cérebro quer novidades, desde sempre. Faz parte da nossa natureza a busca do conhecimento.”

Sholl-Franco lembra que a Modernidade engavetou a informação, fragmentando-a, e que, nas últimas décadas, há um esforço de olhar o todo novamente. E as neurociências fazem parte dessa tendência, pois estuda o sistema nervoso fazendo uma interlocução com outras áreas distintas, como a fisiologia, filosofia ou informática, entre outras.

O professor fez uma retrospectiva das neurociências. “Os anos 90 foram chamados de “a década do cérebro”, pelo então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Nessa época, o seu país investiu muito em pesquisa.” Nos primeiros anos do novo milênio, a tendência foi refletir sobre os estudos já realizados. E nessa segunda década, ele observa que estão sendo tratados os aspectos mais subjetivos nas pesquisas. “E o Brasil está sempre buscando as novidades”, ressaltou. Ele alertou os participantes para o que chamou de “neurofraudes”, cursos de formação e capacitação que prometem resolver todos os problemas de aprendizado com ferramentas da neurociência. “A integração dos saberes é essencial, mas é preciso saber de onde vem esse conhecimento.”

Para Sholl-Franco, é preciso formular novas estratégias educacionais e de inserção social, integrando áreas como a arte (que vai trabalhar a percepção, a porta de entrada das informações) e a educação física (que vai trabalhar a ação). Nesse sentido, o professor investe na capacitação dos profissionais que atuam na educação em seu sentido mais amplo. “Não se aprende só na escola. A sociedade tem agir. Não são só os indivíduos que são pais que precisam se preocupar”.

A popularização da neurociência

Outra preocupação do doutor é que a maioria das pesquisas de neurociências não chegam aos professores. “Mais conhecimento demanda mais especialização, mas sociedade tem que saber da importância desses estudos para toda a comunidade. É preciso popularizar o conhecimento científico para que ele possa ser utilizado.” Entre suas revindicações está a disciplina de neurociências nas grades do curso de pedagogia e a formação continuada para educadores.

Ele também destacou o papel da Universidade. “Como produtora e difusora do conhecimento, ela deve passar isso adiante.” Além do ensino e da pesquisa, deve haver investimento na extensão, o que ele chamou de “primo-pobre”, dessa tríade. “A comunidade precisa estar na universidade e a universidade deve estar na comunidade.”

Sholl-Franco e outros educadores criaram diversas iniciativas para popularizar a neurociência e qualificar a educação. Entre essas iniciativas, estão sites, cursos de formação, produção de material didático, testes fonoaudiológicos (de escrita e fala) e inserção nas escolas. Para atrair os estudantes, realizam oficinas de arte, ciências, trabalham as emoções, a inclusão, a memória e também desenvolvem jogos eletrônicos.

Fórum segue durante todo o dia na Assembleia

O 1º Fórum Internacional de Ciência da Mente, Cérebro e Educação segue à tarde. Confira a programação.

13h30 -15h Conferência: “A ciência da mente, cérebro e educação no mundo”, Tracey Tokuhama-Espinosa -Universidade São Francisco de Quito – Equador

15h -15h30 Homenagem ao Prof. Dr. Ivan Izquierdo -PUCRS, pela relevante contribuição para a neurociência na área da aprendizagem e memória.

15h30 -17h30 Mesa-Redonda: “Educação. Contribuições da Pedagogia, Psicologia, Neurociência e Tecnologia Educacional”, Mediador: Milton Antonio Zaro – UFRGS, Fernanda A. Hammes de Carvalho -Furg e SBNED, Alfred Sholl-Franco – UFRJ, Tracey Tokuhama-Espinosa, Hamilton Haddad – USP

Autor: Cristiane Vianna Amaral

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Fonte: http://al-rs.jusbrasil.com.br/noticias/100021205/conferencista-fala-sobre-novos-caminhos-para-a-educacao-do-seculo-xxi-em-evento-na-al

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