Entrevista com Alfred Sholl Franco para o portal ComCiência

Entrevista com Alfred Sholl Franco para o portal ComCiência, em 09 de março de 2019, na qual são abordados os temas: comunicação científica, neurociências, educação e envelhecimento saudável. A entrevista intitulada “Alfred Sholl: ‘Pessoas bem informadas tendem a cometer menos erros de juízo’“, foi realizada por Luanne Caires. A seguir trechos da entrevista:

O termo neurociências abrange diferentes ciências, com amplas abordagens. O que caracteriza a base comum de todas elas?

No caso das neurociências, a base comum é o foco no sistema nervoso, e há uma busca das diferentes áreas para demarcarem suas prioridades. Isso não quer dizer que uma área é mais importante do que a outra, mas as visões são sempre direcionadas, dependem do histórico e da formação de quem organiza o grupo de pesquisa. (…) Neurociência é um termo abrangente e sujeito a muitos questionamentos. Uma boa maneira de perceber isso é quando uma pessoa se diz neurocientista. É difícil saber exatamente com o que ela trabalha. Eu, por exemplo, coordeno o Núcleo de Estudos em Neurociências e Educação (Neuroeduc). Nele há profissionais e estudantes de fonoaudiologia, educação física, matemática, psicologia, biomedicina. A premissa é um trabalho multidisciplinar e transdisciplinar, que também caracteriza vários outros grupos da área no Brasil, como o Neuroeduca, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e o Instituto do Cérebro, no Rio Grande do Norte.”

O termo neuro ganhou muito glamour nos últimos anos e praticamente qualquer conteúdo associado às neurociências chama a atenção. Não é difícil entender o fascínio pelo nosso cérebro, mas a “glamourização” das neurociências tem riscos. Como lidar com isso?

As pessoas colocam o prefixo neuro(-) em tudo. (…) O maior remédio para essa glamourização é a informação. As pessoas precisam saber onde conseguir informações corretas e confiáveis. Não adianta ler o blog de qualquer um. Vá ao site de universidades, fontes oficiais, institucionais. E, se for um pesquisador, procure o currículo. A plataforma Lattes, por exemplo, é uma fonte confiável de currículos.

(…)

Divulgar é importante porque pessoas bem informadas tendem a cometer menos erros de juízos, menos erros de interpretação e, portanto, serão avaliadoras melhores das necessidades da sociedade e ajudarão a tecer políticas públicas. É isso que tentamos fazer com o núcleo Ciências e Cognição, na UFRJ: investir em novos ramos para promover conscientização pública. De modo geral, as neurociências têm caminhado bastante em promover divulgação científica. Uma boa iniciativa aqui no Brasil é a Semana do Cérebro. Começamos há dez anos e há oito ela é nacional, ajudando a estimular mais ainda o processo de alfabetização científica da população.

Parte da conscientização sobre as neurociências passa pela educação. Do mesmo modo, o conhecimento científico pode contribuir muito para as práticas escolares. Quais são os principais desafios em aproximar os avanços no conhecimento e a prática em sala de aula?

Quando ensinamos a criança a discutir, a refletir sobre concepções, estamos investindo não em curto prazo, mas em longo prazo. Por isso estamos criando a RedENeuro no Rio de Janeiro. Essa é uma rede de estudos em neurociências que fomentará o desenvolvimento de pequenos projetos de pesquisa nas escolas. A ideia é formar pequenos cientistas que tenham visões distintas sobre as neurociências, em parceria com professores de física, química, biologia, português, matemática. Vamos tentar fazer a primeira mostra do projeto durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, em outubro.

Ciências e Cognição recebe escolas para atividades na IX Semana do Cérebro do Rio de Janeiro em 2018. Imagem: Ciências e Cognição.

Outro ponto importante é promover a formação inicial e continuada dos profissionais da educação. São poucas as universidades que ofertam cursos de neurociências para pedagogos e licenciandos, por exemplo – e essa é uma mudança que não ocorre de um momento para o outro e não basta simplesmente mudar o currículo. Uma formação adequada sobre o desenvolvimento é especialmente importante na pré-escola e no ensino infantil, quando a criança está em um período crítico de desenvolvimento cerebral e estabelecimento de circuitos neurais. (…).

Também temos que pensar em por que o conhecimento tem que ser produzido no centro de pesquisa e depois ir para a escola? Por que não podemos capacitar professores, coordenadores pedagógicos e outros profissionais a trabalharem em conjunto com os pesquisadores? Atualmente, os dois mundos (da escola e da ciência) não se veem como pares. A escola acha que os pesquisadores não a escutam e não querem saber do que ela precisa, e os pesquisadores estão preocupados com a captação de verba. Como pesquisador, ao escrever um projeto, uma preocupação é como contemplar o edital. Faltam editais que promovam ou incentivem a integração com as escolas, o que tira, muitas das vezes, a realidade da escola de vista. Outro problema é que as escolas resistem à presença do pesquisador porque ele coleta os dados e nunca volta. Não há um retorno dos resultados da pesquisa para a escola. Assim, para tentar resolver essa falta de diálogo, essa falta de apoio, estamos desenvolvendo a RedENeuro.

Hoje passamos muito tempo trabalhando e interagindo socialmente por meio de telas e redes sociais. Como essa nova dinâmica de ferramentas e relações interpessoais afeta o funcionamento cerebral?

A imersão nesse mundo tecnológico e de redes sociais pode comprometer a capacidade de atenção e dedicação do sistema nervoso. Entretanto, essas mudanças não são ruins nem boas, elas são a realidade atual. Então temos que aprender a lidar melhor com elas. No caso das crianças e jovens que ainda estão em desenvolvimento, por exemplo, não adianta privar. Temos que supervisionar e direcionar o uso, como já aconteceu com o carro e com a televisão. Avaliar o quanto a ferramenta é útil e o quanto é prejudicial para o indivíduo. (…) As ferramentas tecnológicas cativam: um aluno hoje assiste a dez pequenos vídeos de três minutos sobre um assunto se você direcionar o que ele deve assistir, mas ele não consegue ler o livro por meia hora. Hoje em dia eu uso aplicativos para ensinar conteúdos de neurociências nas minhas aulas na UFRJ, assim como produzimos materiais em diferentes mídias, disponíveis no nosso site e canal do YouTube.

Que hábitos podemos ter para envelhecer com uma melhor saúde do sistema nervoso?

(…) Nosso sistema nervoso se transforma a partir de cada informação que chega desde que estamos dentro da barriga da mãe. Eu diria que uma boa alimentação, exercício físico e estimulação contínua forma uma boa receita. Não podemos pensar que estamos velhos demais para fazer alguma coisa. Em qualquer momento da vida você pode aprender uma segunda, terceira, quarta e décima língua, aprender a dançar, sair para apreciar o mundo, fazer meditação. É preciso lembrar que o envelhecer é resultado do conjunto de fatores da nossa vida inteira, que começamos a envelhecer desde que somos gerados.

Existem muitas compreensões equivocadas sobre conceitos das neurociências. Quais são os principais equívocos que ainda persistem no imaginário social?

Um equívoco que ainda persiste muito nas escolas, por exemplo, é que a gente não usa o sistema nervoso todo. Muitos alunos e professores acham que só usamos uma porcentagem (o mito dos 10%). Outro mito é o de que o uso de drogas não afeta o sistema nervoso, porque sempre tem aquele exemplo do amigo que usou e não aconteceu nada. (…) Nosso sistema nervoso trabalha com uma margem de reserva, temos certa plasticidade, mas com a idade pagamos o preço. E há o mito da ginástica cerebral, de que a prática de exercícios no celular ou no computador deixa a pessoa mais inteligente. Ficar encaixando um desenho dentro do outro ou decorando o caminho traçado entre pontos é um bom exercício mental? Sim. Mas isso agiliza o raciocínio, a memória operacional, a atenção, o que é diferente de deixar a pessoa inteligente, melhorar o desempenho no processamento de informações de matemática, linguística, história, geografia. (…)

(…)

Estamos na década da mente. O objetivo é entender melhor como os processos mentais se integram, sejam eles genéticos, comportamentais, sociais, educacionais. Por isso, uma área de grandes descobertas será aquela relacionada à compreensão de como os processos mentais estão conectados. A terapia gênica também é outra área com potencial para grandes revoluções, porque pode diminuir a progressão ou mesmo evitar a instalação de doenças relacionadas ao sistema nervoso.

Leia a entrevista completa no link:
http://www.comciencia.br/alfred-sholl



“Neurociências, Arte e Criatividade” – Prof. Dr. Alfred Sholl Franco.

I Workshop Arte + Ciências e Inclusão – 19/11/2016, na UFRJ. Palestra: “Neurociências, Arte e Criatividade” – Prof. Dr. Alfred Sholl Franco (UFRJ).

Sobre o palestrante: Biólogo (Faculdades Maria Thereza), Especialista em Neurobiologia (UFF), Mestre e Doutor em Ciências Biológicas (Modalidade Biofísica, URFJ). Atualmente é Professor Associado I (UFRJ, IBCCF, Programa de Neurobiologia), Coordenador da Extensão no Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (CATE, IBCCF, UFRJ), do Ciências e Cognição – Núcleo de Divulgação Científica e Ensino de Neurociências (CeC-NuDCEN) e do Núcleo de Novas Tecnologias e Mídias (NNOTEM) . Dedica-se à pesquisa básica em estudos sobre proliferação, diferenciação e morte celular no sistema nervoso e à pesquisa em Neuroeducação, nas áreas de corporeidade, aprendizado, narrativa, artes e inclusão. Tem experiência nas áreas de Neurociências, Divulgação Científica e Editoração Eletrônica, com ênfase nas sub-áreas de Neuroimunomodulação, Biologia Celular, Desenvolvimento, Aprendizagem, Regeneração no Sistema Nervoso e Educação/Divulgação Científica e Inclusão. Participa como Pesquisador Associado ao Laboratório de Neurogênese (IBCCF, UFRJ), onde desenvolve projetos de pesquisa nas áreas de desenvolvimento do sistema nervoso, neuroimunomodulação, neuroplasticidade, neurodegeneração e regeneração. Coordena o Centro de Estudos em Neurociências e Educação (NEUROEDUC), onde desenvolve atividades de editoração, pesquisa em neuroeducação, aprendizagem, corporeidade, narrativa, artes, inclusão e divulgação científica. É membro permanente das Pós-Graduações da UFRJ em Ciências Biológicas (Biofísica – conceito Capes 7) e MP-EGeD (conceito Capes 4) e da Pós-Graduação da UFF em Diversidade e Inclusão (CMPDI – Conceito Capes 4). Membro da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC), da Society for Neuroscience (SfN), da International Mind, Brain and Education Society (IMBES) e da Rede Nacional de Ciência para a Educação (CpE). Fundador e Editor-Chefe da revista científica "Ciências e Cognição? (CAPES Qualis B1 em Psicologia e B2 em Educação e Ensino).

“Extensão Universitária: por que e como cumprir?”

O vídeo apresenta um debate em torno das configurações da extensão universitária na UFRJ, no ano de 2016/2017. A apresentação conta com as falas do Prof. Dr. Alfred Sholl Franco (IBCCF/UFRJ) e da Profa. Dra. Débora Henrique Anjos (IBCCF/UFRJ), durante o evento II FÓRUM DE EXTENSÃO DO INSTITUTO DE BIOFÍSICA CARLOS CHAGAS FILHO.

Divulgação e Popularização em Neurociências: 8 anos da Semana do Cérebro no Rio de Janeiro

Foi defendida na UFRJ, nesta segunda-feira (22/05/17), o trabalho de conclusão de curso intitulado “Divulgação e Popularização em Neurociências: oito anos de atividades da Semana do Cérebro no Rio de Janeiro“, por Marina Chichierco, sob a orientação do Prof. Dr. Alfred Sholl Franco (IBCCF/UFRJ).

O trabalho trata da divulgação científica, entendendo-a como uma atividade que tem como função principal difundir conhecimentos científicos a partir de um diálogo acessível para a sociedade. Neste sentido, foi desenvolvida uma pesquisa, tendo como objeto as atividades desenvolvidas, por Ciências e Cognição e parceiros para a Semana do Cérebro do Rio de Janeiro, vinculada internacionalmente à Semana de Conscientização do Cérebro (Brain Awareness Week), visando promover a conscientização e a popularização das neurociências para toda a sociedade.

O objetivo da pesquisa foi relatar e analisar o processo de organização e os dados relacionados às oito edições desse evento realizadas através do projeto Museu Itinerante de Neurociência (MIN), um braço do projeto de extensão universitária “Ciências e Cognição – Núcleo de Divulgação Científica e Ensino em Neurociências”, parceria entre Organização Ciências e Cognição (OCC) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Deste 2010, este evento tem sido organizado pelo projeto e diferentes parceiros intra- e extra-muros da UFRJ. A cada ano, uma nova temática é escolhida e desenvolvida na forma de atividades práticas e interativas para o público em geral e, em particular, para estudantes e professores do ensino básico.

Ao longo dos últimos 8 anos, já foram abordados os seguintes temas: sistemas sensoriais, memória, linguagem, emoções, deficiências/distúrbios e altas habilidades, artes, relação corpo e mente e consciência. A partir da quarta edição, foram desenvolvidos e realizados oito cursos de capacitação e formação de mediadores, com um total de 1.426 voluntários atuantes ao longo desses anos.

Em média, foram realizadas 22 oficinas/atividades práticas por ano, atendendo um total de 9.136 participantes. A organização da ação é renovada, anualmente, através do processo de Brainstorming realizado ao final do ano anterior, que resulta no desenvolvimento de novas atividades a cada novo evento, além de promover a adesão de novos parceiros individuais e/ou institucionais. A partir de 2012, contou com a adesão de laboratórios que trabalham com neurociências presentes no Centro de Ciências da Saúde (CCS/UFRJ), os quais abrem suas portas para visitação de estudantes durante os dias do evento, aumentando o grau de interação entre os visitantes e o ambiente acadêmico-científico.

Ao longo dos oito últimos anos, as ações vem sendo sistematicamente registrados e fartamente documentados, possibilitando a análise proposta no trabalho defendido por Marina, centrado na análise crítica e na observação participante. A relevância se destaca pela iniciativa pioneira no Brasil, em 2010, e a regularidade e constante crescimento das abordagens e parceiros, bem como pelo fato de que a Semana do Cérebro é uma iniciativa que tem grande repercussão, tornando-se uma importante ferramenta para o combate aos neuromitos, além de promover a divulgação e conscientização pública sobre as neurociências.

Marina foi aluna do curso de Ciências Biológicas, modalidade médica (Biomedicina), na UFRJ. Fizeram parte da banca os Profs. Drs. Daniela Uziel Rosental (UFRJ), Adriana da Cunha Faria Melibeu (UFF) e Alfred Sholl Franco (UFRJ).

 

 

Estudo sobre a IV Olimpíada Brasileira de Neurociências é apresentado na FESBE

fesbe8Na 37a Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química (SBQ) Ingrid Moura (acadêmica de Medicina e coordenadora do Comitê Nacional da Olimpíada Brasileira de Neurociências) apresentou o trabalho “IV Olimpíada Brasileira de Neurociências: Divulgação e popularização das neurociências entre estudantes do ensino médio“, em formato pôster. São coautores do trabalho Alfred Sholl Franco (UFRJ, OCC) e Glaucio Aranha (OCC, TJRJ), membros do ‘Grupo de Pesquisa em Neurociências e Educação’ (NEUROEDUC).

Resumo:

IV OLIMPÍADA BRASILEIRA DE NEUROCIÊNCIAS: DIVULGAÇÃO E POPULARIZAÇÃO DAS NEUROCIÊNCIAS ENTRE ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO

Ingrid Moura de Oliveira¹, Alfred Sholl-Franco² ³ e Glaucio Aranha²

1- Graduanda  do Curso de Medicina da UFRJ, Rio de Janeiro, RJ; 2 – Pesquisador/Professor da Organização Ciências e Cognição, Rio de Janeiro, RJ; 3- Pesquisador/Professor do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho – UFRJ, Rio de Janeiro, RJ

  • Introdução: As olimpíadas de neurociências são competições de neurociências para estudantes do ensino médio com idade entre 14 e 19 anos incompletos, que ocorrem internacionalmente desde 1998 e no Brasil desde a fundação do Comitê Brasileiro em 2013.
  • Objetivo: Nosso objetivo é apresentar os resultados da IV Olimpíada Brasileira de Neurociências (OBN; cienciasecognicao.org/brazilianbrainbee) e estimular a formação de novos Comitês Locais (CL) responsáveis pela realização de competições em todo o Brasil.
  • Métodos: O comitê nacional, coordenado pelo Prof. Alfred Sholl-Franco e pela Acadêmica de Medicina da UFRJ Ingrid Moura de Oliveira, é membro do comitê internacional (http://www.internationalbrainbee.com/) e conta com a participação de uma comissão científica composta por Professores e Pesquisadores em neurociências. Na IV OBN tivemos a participação de dois novos Comitês Locais (São Fidelis/RJ e Brasiliense/DF) e a reativação de outro Comitê Local (Ribeirão Preto/SP), elevando o número de competidores para 13. A competição nacional foi realizada no dia 14/05/2016, na cidade de São Paulo, das 12:00 às 18:00 h, no Centro de Educação em Saúde Abram Szajman (CESAS), localizado na unidade Francisco Morato do Hospital Albert Einstein. Os três primeiros colocados de cada Comitê Local foram classificados para a competição nacional: Lorrayne Isidoro Gonçalves, Danilo Maciel de Deus e Melo e Gabriela Marques Mendonça Lira pelo Comitê do Rio de Janeiro e Grande Rio/RJ; Thiago Garcia Varga, Laura Valqueíria Ramos Maita e Caroline Magalhães de Toledo pelo Comitê de São Paulo/SP; Breno Masi De Basi, Débora Souza Queiroz e Talles Gabriel Castellar Barroso pelo Comitê de Ribeirão Preto/SP; Caio Silva de Paula Cabral pelo Comitê São Fidélis/RJ; Fabrício Andrade Rodrigues, Kaleb Damarcena de Oliveira e Karen Kathleen Amorim Oliveira pelo Comitê Brasiliense/DF. Os exames aplicados durante a OBN foram compostos por questões teóricas e práticas (objetivas e discursivas), divididas em 5 categorias (neuroanatomia, neurohistologia, neurofisiologia, neurociências básicas e neurociências clínicas).
  • Resultados: A representante do Comitê do Rio de Janeiro Lorrayne Isidoro Gonçalves, estudante do 3º ano do Colégio Pedro II Engenho Novo, supervisionada pela Profa. Camila Marra, venceu a IV OBN e participou da Olimpíada Internacional de Neurociências (International Brain Bee – IBB; www.thebrainbee.org), realizada entre 30/06 e 04/07,  em Copenhagen (Dinamarca), durante o Fórum da Federação das Sociedades Européias de Neurociências (FENS, http://www.fens.org/). A IBB contou com a participação de 25 países e a representante brasileira obteve a 18ª colocação geral, ficando em segundo lugar no exame de diagnóstico clínico e em sexto lugar no exame de neuroanatomia.
  • Conclusões: A realização das olimpíadas de neurociências (locais e nacional) mostra que este tipo de atividade é muito importante para a divulgação das neurociências para alunos do ensino médio, motivando os jovens ao aprendizado das ciências e despertando vocações nas áreas humanas, tecnológicas e/ou biológicas que estudam ou interagem com as neurociências, tanto no nível básico como clínico.  
  • Apoio Financeiro: Organização Ciências e Cognição; IBCCF/UFRJ; PR-5/UFRJ, PROEXT-MEC/SESU, CNPq, CENSUPEG, ALBERT EINSTEIN – Sociedade Beneficente Israelita Brasileira.

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Neurociências e Direito se encontram em mesa-redonda no Museu da Justiça

Prof. Dr. Alfred Sholl Franco (UFRJ), Profa. Dra. Fabiana Rodrigues Barletta (UFRJ), Dr. Antonio Pedro Melchior (advogado), e Dra. Isabel Teresa Pinto Coelho (TJRJ).

Em 15 de março  de 2016, o Museu da Justiça promoveu em parceria com Ciências e Cognição o debate “O Judiciário e a Questão da Saúde Mental”. A atividade reuniu especialistas das áreas de neurociências e Direito, como parte da programação da “VII Semana do Cérebro: uma mente sã num corpo são“, coordenado por Ciências e Cognição e diversos parceiros. Esta foi a primeira participação do Museu da Justiça entre as instituições parceiras.

A mesa-redonda contou com a participação do Prof. Dr. Alfred Sholl Franco (neurocientista e professor do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ), da Profa. Dra. Fabiana Rodrigues Barletta (Professora e pesquisadora da Faculdade Nacional de Direito, da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ), do Dr. Antonio Pedro Melchior (advogado, membro do Fórum Permanente de Direito e Psicanálise, da EMERJ), da Dra. Isabel Teresa Pinto Coelho (magistrada, presidente do Fórum Permanente de Direito e Saúde, da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro – EMERJ) e mediação do Prof. Dr. Glaucio Aranha (Organização Ciências e Cognição – OCC; Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro – TJRJ).IMG_20160315_155223655_HDR

Os debates trataram de questões atuais da fronteira entre o Judiciário e a Saúde Mental, tais como: desafios e conquistas após 15 anos da reforma psiquiátrica; a polêmica noção de normalidade mental nas demandas do judiciário; biopoder; o judiciário e os pareceres médicos e psicológicos.

Local:

Museu da Justiça – Rua D. Manoel 29, 3.º andar – Sala da Câmara Isolada, centro, Rio de Janeiro – RJ. (21) 3133-3766; 3133-3768 ou museudajustica@tjrj.jus.br

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Museu da Justiça promoveu em parceria com Ciências e Cognição o debate “O Judiciário e a Questão da Saúde Mental”

 

Game transmídia desperta interesse de jovens pelas neurociências

[CLIPPING: ESTADÃO]

Game transmídia desperta interesse de jovens pelas neurociências

LUÍS GUILHERME JULIÃO – ESPECIAL PARA O ESTADO

09 Dezembro 2015 | 16h 13

NeurAventura faz estudantes transitarem por diferentes mídias como redes sociais, vídeos e quadrinhos

Um jogo no estilo RPG vem despertando o interesse de jovens do ensino médio pelas neurociências. Por meio de vídeos, quadrinhos e entradas para redes sociais, o NeurAventura permite que os alunos participem ativamente da construção de narrativas, garantindo estímulo extra para as pesquisas sobre o tema. Atividade que já serviu de motivação para pelo menos uma escolha de futuro, a de Alan Santos Ferreira, hoje com 22 anos.

Quando teve contato com o game pela primeira vez, em 2011, ainda como aluno do Ciep João Saldanha, de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Alan não poderia imaginar a importância que ele teria em sua vida. Em maio deste ano, ele sofreu um AVC isquêmico, que deixou o lado direito de seu corpo paralisado. Não tardou para se lembrar do aprendizado que teve com o jogo e entender melhor o que se passava com ele.

“O game me fez pensar sobre os neurônios e todos os assuntos relacionados às neurociências”, conta o jovem. “Agora, só de ver meu corpo reaprendendo a fazer os movimentos, me interessei ainda mais, já que os neurônios que morreram tiveram que dar lugar a novos neurônios para que eu pudesse movimentar meu braço e minha perna novamente.”

Alan conta que o jogo não despertou o interesse apenas dele, mas de todos os colegas da escola. “Era algo incrível, você tinha que ver como os alunos ficavam quando viram o game pela primeira vez.” Quatro anos depois, após o AVC e tendo que passar por tratamentos para recuperar os movimentos, ele decidiu que vai fazer faculdade de fisioterapia.

Criado pelos professores Glaucio Aranha e Alfred Sholl, da Organização Ciências & Cognição, o NeurAventura pretende servir como ferramenta educacional e fazer os estudantes transitarem por diferentes linguagens. “A ideia não é criar um jogo com conteúdo pré-determinado a ser passado, mas desenvolver uma plataforma que contribua para o ensino das neurociências de forma complementar, estimulando os participantes a iniciar um processo voluntário de pesquisa de informações sobre o tema”, explica Aranha, acrescentando que o projeto está em permanente desenvolvimento. “Dá para tratar desde aspectos de neuroanatomia até discussões sobre bioética.”

Coordenador do curso de jogos digitais da Universidade Metodista de São Paulo e autor do livro Tecno-pedagogia: os Games na Formação dos Nativos Digitais, Leandro Key Yanaze diz que essas ferramentas  servem como motivação e meio de aprendizado. “Quem joga está mais apto a ter uma atuação interdisciplinar e a desenvolver outras competências que não estão previstas na grade curricular.”

Yanaze elogia o NeurAventura. “Nunca vi no Brasil um exemplo tão rico de utilização de múltiplas plataformas digitais”, afirma. De acordo com o professor, o 1º Censo da Indústria Brasileira de Jogos Digitais, encomendado pelo BNDES em 2014, apontou que 27% das empresas que atuam no setor desenvolvem jogos na linha Serious Game, que vão além do entretenimento, como os de exploração científica.

Fonte: Estadão – Disponível em: http://goo.gl/oHtyqS

Neurociências e Artes: como as artes podem contribuir para a cognição

No dia 18/03 (quarta-feira), às 10:00, o Prof. Dr. Alfred Sholl-Franco, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, apresentará a palestra “Neurociências e Artes: como as artes podem contribuir para a cognição“. Discutirá tópicos relacionados com as implicações cognitivas da experiência artística, o modo como as artes podem contribuir para a melhoria do processo de ensino-aprendizagem e aspectos gerais sobre a convergência entre os campos de artes e neurociências, que vem se convencionando chamar de “neuroestética”.

Após a palestra, haverá a comunicação “Música e Cérebro“, com a Prof. Maria Beatriz Licursi, da Escola de Música, da UFRJ, seguida da apresentação musical do quarteto de cordas “O Fino da Música” destacando obras de compositores cuja vida teve relação com temas ligados ao cérebro (altas habilidades, distúrbios sensoriais e outros). Por fim, haverá a abertura das exposição “Olhares” e o lançamento do livro “Desenhando Emoções“, de Alfred Sholl-Franco, Anna Carolina Miguel e Scarlet Guedes.

Entrada gratuita.

Data: 18/03, às 10:00

Local: Auditório Rodolpho Paulo Rocco (Quinhentão), subsolo do Bloco K, Campus Fundão (UFRJ) – Para orientação por mapa, clique aqui.

Maiores informações: http://cienciasecognicao.org/semana_do_cerebro/?p=78

Capítulo sobre “Neuroeducação e Inteligência”

Este mês foi lançado o livro “Altas habilidades/superdotação, inteligência e criatividade“, que conta com um capítulo, da autoria de Alfred Sholl-Franco, Talita Assis e Tatiana Maia, sobre “Neuroeducação e Inteligência: como as artes e a atividade física podem contribuir para a melhoria cognitiva” (pp. 139-160).

Mais informações sobre a obra:

Virgolim, A.M.R. & Konkiewitz, E. (2014). (Orgs.). Altas habilidades/superdotação, inteligência e criatividade. Campinas: Papirus.
Altas habilidades/superdotação, inteligência e criatividade (Editora Papirus), organizado por mim e pela Neurologista Elizabete Konkiewitz, da Universidade Federal da Grande Dourados, contendo 19 capítulos escritos por eminentes pesquisadores nacionais e um internacional nas áreas de psicologia, medicina e educação. Fundamental para psicólogos, educadores e outros profissionais interessados na área.
Link para compra: clique aqui

Conferencista Alfred Sholl fala sobre novos caminhos para a educação do século XXI em evento na Assembleia Legislativa de Porto Alegre (RS)

Conferencista Alfred Sholl fala sobre novos caminhos para a educação do século XXI em evento na Assembleia Legislativa de Porto Alegre (RS)

O mestre e doutor em biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o professor Alfred Sholl-Franco,

foi o segundo conferencista do 1º Fórum Internacional de Ciência da Mente, Cérebro e Educação, evento realizado pela Comissão de Educação nessa segunda-feira (6), no Teatro Dante Barone. Ele falou sobre o tema Neuroeducação: novos caminhos para uma pedagogia do século XXI.

O professor introduziu seu tema contextualizando os problemas da educação no Brasil e, em especial, do estado do Rio de Janeiro, onde atua. Ele classificou os Índices de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do país muito baixos, mas percebe que os governos estão reformulando suas políticas públicas para reverter esse quadro. “O nível do aluno na universidade está despencando”, observa. Em parte, ele credita isso ao fato de que os estudantes estão “preocupados com outras mil coisas, estimulados por outras mil coisas”. É o tocador de música, o computador ou o celular que também está conectado na tv, vários controles remotos, tudo ao mesmo tempo. “Isso traz mudanças na humanidade. O nosso cérebro quer novidades, desde sempre. Faz parte da nossa natureza a busca do conhecimento.”

Sholl-Franco lembra que a Modernidade engavetou a informação, fragmentando-a, e que, nas últimas décadas, há um esforço de olhar o todo novamente. E as neurociências fazem parte dessa tendência, pois estuda o sistema nervoso fazendo uma interlocução com outras áreas distintas, como a fisiologia, filosofia ou informática, entre outras.

O professor fez uma retrospectiva das neurociências. “Os anos 90 foram chamados de “a década do cérebro”, pelo então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Nessa época, o seu país investiu muito em pesquisa.” Nos primeiros anos do novo milênio, a tendência foi refletir sobre os estudos já realizados. E nessa segunda década, ele observa que estão sendo tratados os aspectos mais subjetivos nas pesquisas. “E o Brasil está sempre buscando as novidades”, ressaltou. Ele alertou os participantes para o que chamou de “neurofraudes”, cursos de formação e capacitação que prometem resolver todos os problemas de aprendizado com ferramentas da neurociência. “A integração dos saberes é essencial, mas é preciso saber de onde vem esse conhecimento.”

Para Sholl-Franco, é preciso formular novas estratégias educacionais e de inserção social, integrando áreas como a arte (que vai trabalhar a percepção, a porta de entrada das informações) e a educação física (que vai trabalhar a ação). Nesse sentido, o professor investe na capacitação dos profissionais que atuam na educação em seu sentido mais amplo. “Não se aprende só na escola. A sociedade tem agir. Não são só os indivíduos que são pais que precisam se preocupar”.

A popularização da neurociência

Outra preocupação do doutor é que a maioria das pesquisas de neurociências não chegam aos professores. “Mais conhecimento demanda mais especialização, mas sociedade tem que saber da importância desses estudos para toda a comunidade. É preciso popularizar o conhecimento científico para que ele possa ser utilizado.” Entre suas revindicações está a disciplina de neurociências nas grades do curso de pedagogia e a formação continuada para educadores.

Ele também destacou o papel da Universidade. “Como produtora e difusora do conhecimento, ela deve passar isso adiante.” Além do ensino e da pesquisa, deve haver investimento na extensão, o que ele chamou de “primo-pobre”, dessa tríade. “A comunidade precisa estar na universidade e a universidade deve estar na comunidade.”

Sholl-Franco e outros educadores criaram diversas iniciativas para popularizar a neurociência e qualificar a educação. Entre essas iniciativas, estão sites, cursos de formação, produção de material didático, testes fonoaudiológicos (de escrita e fala) e inserção nas escolas. Para atrair os estudantes, realizam oficinas de arte, ciências, trabalham as emoções, a inclusão, a memória e também desenvolvem jogos eletrônicos.

Fórum segue durante todo o dia na Assembleia

O 1º Fórum Internacional de Ciência da Mente, Cérebro e Educação segue à tarde. Confira a programação.

13h30 -15h Conferência: “A ciência da mente, cérebro e educação no mundo”, Tracey Tokuhama-Espinosa -Universidade São Francisco de Quito – Equador

15h -15h30 Homenagem ao Prof. Dr. Ivan Izquierdo -PUCRS, pela relevante contribuição para a neurociência na área da aprendizagem e memória.

15h30 -17h30 Mesa-Redonda: “Educação. Contribuições da Pedagogia, Psicologia, Neurociência e Tecnologia Educacional”, Mediador: Milton Antonio Zaro – UFRGS, Fernanda A. Hammes de Carvalho -Furg e SBNED, Alfred Sholl-Franco – UFRJ, Tracey Tokuhama-Espinosa, Hamilton Haddad – USP

Autor: Cristiane Vianna Amaral

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Fonte: http://al-rs.jusbrasil.com.br/noticias/100021205/conferencista-fala-sobre-novos-caminhos-para-a-educacao-do-seculo-xxi-em-evento-na-al