O USO DE METÁFORAS E METONÍMIAS POR PACIENTES ESQUIZOFRÊNICOS À LUZ DA LINGUÍSTICA COGNITIVA

Autores

  • Marcus Lepesqueur Universidade Federal de Minas Gerais
  • Rodrigo Vianna de Almeida Universidade Federal de Minas Gerais
  • Luiz Filipe Mazzingly Silva Universidade Federal de Minas Gerais
  • Adriana Maria Tenuta Universidade Federal de Minas Gerais

Palavras-chave:

esquizofrenia, concretismo, linguagem figurativa, linguística cognitiva

Resumo

Boa parte da literatura psiquiátrica até o final do século XX sugeriu déficits de produção e compreensão metafóricas por parte dos pacientes com esquizofrenia; portanto, passou-se a atribuir o “concretismo” como um sintoma característico dessa condição clínica. Porém, com os estudos da Linguística Cognitiva, passou-se a compreender que a linguagem humana é, por natureza, metafórica. Neste trabalho, a teoria da Metáfora Conceptual é apresentada a fim de se analisar a produção da linguagem figurativa na fala de cinco pacientes diagnosticados com esquizofrenia. Os procedimentos de análise utilizados foram: o Procedimento de Identificação de Metáforas; o Metaphor Annotation for Source-Target Domain Mappings e a conseguinte conclusão qualitativa de trechos identificados como conotativos. Os resultados revelaram que os pacientes com esquizofrenia produziram tanto metáforas, como metonímias conceptuais. Conclui-se que, sendo a linguagem fruto da cognição que se estabelece na interação com uma cultura, a fala de esquizofrênicos revela a cognição metafórica e metonímica esperada de populações às quais não se atribui concretismo. Este trabalho, portanto, sugere modos de se repensarem tais aspectos semiológicos da esquizofrenia levando-se em conta discussões da Linguística Cognitiva.

Biografia do Autor

Marcus Lepesqueur, Universidade Federal de Minas Gerais

M. Lepesqueur é graduado em Psicologia e mestre em Linguística Teórica e Descritiva pela Universidade Federal de Minas Gerais. É aluno de doutorado do Programa de Pós-graduação em Estudos Linguísticos dessa mesma instituição, cursando período sandwíche na França.

Rodrigo Vianna de Almeida, Universidade Federal de Minas Gerais

Aluno de graduação (6º período) em Psicologia pela UFMG. Ex-aluno de uma graduação incompleta em Filosofia. Realizou três iniciações científicas.

Luiz Filipe Mazzingly Silva, Universidade Federal de Minas Gerais

Aluno de Graduação (6º período) em Letras na Universidade Federal de Minas Gerais. Participou de programas de iniciação à docência e à pesquisa.

Adriana Maria Tenuta, Universidade Federal de Minas Gerais

A. M. Tenuta é graduada em Letras – Português, Inglês (UFMG), Mestre em Linguística (UFMG), Doutora em Estudos Linguísticos (UFMG). Atua como Professora Associada na graduação em Letras e no Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da Faculdade de Letras da UFMG.

Publicado

2017-06-30

Edição

Seção

Artigos Científicos / Scientific Articles