UM OLHAR EVOLUCIONISTA PARA A ARTE DE M. C. ESCHER

Tiago José Benedito Eugênio

Resumo


Resumo

Nos últimos anos, a arte deixou de ser entendida apenas sob o ponto de vista histórico, social, cultural e estético, adquirindo também um sentido biológico explícito. São crescentes os esforços para compreender, por exemplo, a relação entre evolução, cérebro e arte. O artista gráfico holandês Mauritus Cornlis Escher produziu uma série de obras de arte que provocam uma verdadeira confusão mental no observador. Ele é sempre lembrado como um amante da matemática, mas acreditamos que sua genialidade matemática e artística permitiu também uma investigação evolucionista do mundo. Neste ensaio é proposta uma análise de algumas de suas obras sob o ponto de vista evolucionista, cujos pilares encontram-se nas ideias de Charles Darwin. Assim, apresentamos a ideia de que em algumas obras desse artista podemos encontrar pressupostos evolucionistas, tais como: (1) conexão entre espécies diferentes e da modificação das mesmas ao longo do tempo e do espaço. (2) renuncia à natureza obsoleta de homem fundamentada, sobretudo, na ideia lockiana de tábula rasa e de dualidade cartesiana. (3) relação de interdependência entre natureza e criação. Neste ensaio, defendemos que a arte pode antecipar a ciência.  Dessa forma, dentro de suas especificidades, a ciência e arte podem expressar, de diferentes formas, uma mesma ideia. © Cien. Cogn. 2012; Vol. 17 (2): 063-075.

 

Palavras-chave: Escher; arte; evolução; ciência; darwinismo



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Escher; arte; evolução; ciência; darwinismo

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