OBSTÁCULOS EPISTEMOLÓGICOS ENTRE PÓS-GRADUANDOS DE BIOQUÍMICA

Autores

  • Ariane Leites Larentis Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (CESTEH), Escola Nacional de Saúde Pública - Fiocruz, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
  • Manuel Gustavo Leitão Ribeiro Departamento de Biologia Celular e Molecular, Instituto de Biologia - UFF, Niterói, RJ, Brasil
  • Lucia Moreira Campos Paiva Departamento de Bioquímica, Instituto de Química - UFRJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
  • Lucio Ayres Caldas Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF) - UFRJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
  • Marcelo Hawrylak Herbst Departamento de Química, Instituto de Ciências Exatas - UFRRJ, Seropédica, RJ, Brasil
  • Marcelo Victor Holanda Moura Departamento de Bioquímica, Instituto de Química - UFRJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
  • Gilberto Barbosa Domont Departamento de Bioquímica, Instituto de Química - UFRJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
  • Rodrigo Volcan Almeida Departamento de Bioquímica, Instituto de Química - UFRJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Palavras-chave:

Bachelard, obstáculos epistemológicos, vitalismo, teleologia, verbalismo, empirismo

Resumo

Resumo

A partir do estudo da epistemologia de Bachelard na disciplina Lógica e Filosofia da Ciência da Pós-Graduação em Bioquímica do Instituto de Química/Universidade Federal do Rio de Janeiro (IQ/UFRJ), buscou-se identificar obstáculos epistemológicos entre pós-graduandos em bioquímica e áreas correlatas. Um questionário com perguntas e excertos de artigos científicos de revistas de alto fator de impacto foi respondido, anonimamente, por pós-graduandos de diferentes cursos da UFRJ e de outras universidades, que nunca cursaram disciplina relacionada à epistemologia. Foi possível identificar concepções vitalistas (animismo) tanto nas respostas às perguntas como na aceitação ou não identificação deste obstáculo nos excertos. O obstáculo pragmático e unitário foi identificado através de uma concepção teleológica dos processos evolutivos, em afirmações como a existência de objetivos/finalidades na adaptação dos organismos. Verificou-se a presença de figuras de linguagem, metáforas e analogias (obstáculo verbal) na explicação da evolução e do sistema imune, também encontradas nos excertos dos artigos. Foram também identificados obstáculos associados à observação primeira e generalização prematura. A partir deste diagnóstico verificou-se a necessidade de enfatizar o caráter objetivo, material, não teleológico da bioquímica, em disciplinas oferecidas desde a graduação. © Cien. Cogn. 2012; Vol. 17 (2): 076-097.

Palavras-chave: Bachelard; obstáculos epistemológicos; vitalismo; teleologia; verbalismo; empirismo.


Biografia do Autor

Ariane Leites Larentis, Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (CESTEH), Escola Nacional de Saúde Pública - Fiocruz, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

A. L. Larentis é graduada em Engenharia Química pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1997), Mestre (2000) e Doutor (2005) em Engenharia Química pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Pós-Doutor pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguêz de Mello, CENPES/PETROBRAS (2006). Atua como pesquisadora no Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (CESTEH) da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP) da Fiocruz.

Manuel Gustavo Leitão Ribeiro, Departamento de Biologia Celular e Molecular, Instituto de Biologia - UFF, Niterói, RJ, Brasil

M.G.L Ribeiro é graduado em Ciências Biológicas (Genética, em 1999 e Licenciatura, em 2002) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Mestre (2002) e Doutor (2006) em Ciências Biológicas (Biofísica) no Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atua como Professor Adjunto no Departamento de Biologia Celular e Molecular, do Instituto de Biologia da Universidade Federal Fluminense.

Lucia Moreira Campos Paiva, Departamento de Bioquímica, Instituto de Química - UFRJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

L.M.C. Paiva é graduada em Química pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1975), Mestre em Bioquímica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1980) e Doutor em Bioquímica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1992). Atua como Professora Associada no Departamento de Bioquímica do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Lucio Ayres Caldas, Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF) - UFRJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

L.A. Caldas é graduado em Ciências Biológicas, Mestre em Ciências Biológicas (Biofísica) na área de Virologia Molecular (2002), Doutor em Ciências Biológicas (Biofísica) na área de Biologia de Protozoários (2007), ambos pelo Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atua como Pesquisador Pós-Doutor na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Marcelo Hawrylak Herbst, Departamento de Química, Instituto de Ciências Exatas - UFRRJ, Seropédica, RJ, Brasil

M.H. Herbst é graduado como Bacharel em Química pela Universidade Estadual de Londrina (1995) e Doutor em Química pela Universidade Estadual de Campinas (2001). Atua como Professor Adjunto no Departamento de Química da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

Marcelo Victor Holanda Moura, Departamento de Bioquímica, Instituto de Química - UFRJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

M.V.H. Moura é graduado em Química com Atribuições Tecnológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2009), Mestre em Química pelo Programa de Pós-Graduação em Bioquímica do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atua como Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Bioquímica do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Gilberto Barbosa Domont, Departamento de Bioquímica, Instituto de Química - UFRJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

G.B. Domont é graduado em Química pela Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1957), Doutor em Bioquímica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1975) e Livre-Docente pela UERJ (1965) e UFRJ (1975), membro da Academia Brasileira de Ciências (1975). Atua como Professor Emérito no Departamento de Bioquímica, Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Rodrigo Volcan Almeida, Departamento de Bioquímica, Instituto de Química - UFRJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

R.V. Almeida é graduado em Engenharia Química pela Fundação Universidade Federal do Rio Grande (2000), Mestre (2001) e Doutor (2005) em Engenharia Química pela COPPE - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Pós-Doutor pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2006). Atualmente é Professor Adjunto no Departamento de Bioquímica do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Referências

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Publicado

2012-09-12

Edição

Seção

Artigos Científicos / Scientific Articles